quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Decidindo o que é notícia. Os bastidores do telejornalismo

Duas imagens transmitidas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, no final de março, começo de abril deste ano, emocionaram e revoltaram o país. Nas duas, um fato em comum: a violência policial. A primeira, que foi ao ar no dia 31 de março, mostra policiais militares agredindo pessoas e matando um homem numa favela em Diadema, na Grande São Paulo. A outra, apresentada uma semana depois, também mostra policiais militares espancando e extorquindo moradores numa favela da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

A partir da exibição das reportagens aconteceu uma série de protestos e anúncios de medidas por parte dos governos dos Estados e Federal para combater a violência policial. A pergunta que fica é: esse procedimento dos militares é uma novidade? Não. No dia-adia das grandes cidades brasileiras a violência daqueles que têm por obrigação garantir a segurança da população não é algo novo. Então, o que mudou? É que o que se comentava no trabalho, nas ruas e nos bares foi estampado, no horário nobre, no principal jornal da televisão brasileira.

À parte a barbárie do ato, que deve ser repudiado, interessa-nos aqui chamar atenção para um fato que passou praticamente despercebido na época: a força da televisão e, em particular, do telejornalismo. Uma enquete realizada pelo jornal O Estado de São Paulo revela que o paulistano não desgruda o olho da TV (Leal, 1996, p.4). Mais surpreendentes são os dados de uma pesquisa realizada pelo Jornal do Brasil. A principal opção do morador do Rio de Janeiro na hora de relaxar não é a praia, mas a televisão (Branco, 1996).

Para a maioria das pessoas, os telejornais são a primeira informação que elas recebem do mundo que as cerca: como está a política econômica do governo, o desempenho do Congresso Nacional, a vida dos artistas, o cotidiano do homem comum, entre outras coisas. Calcula-se que apenas os telejornais da noite (TV Record, TV Bandeirantes, TV Globo, SBT e CNT) atinjam a audiência acumulada de 50 milhões de pessoas (NA GUERRA, 1995).

Uma enquete realizada pela revista Imprensa, na Grande São Paulo, em maio do ano passado, mostra que 89,4% dos entrevistados assistem telejornais. Os noticiários da Globo detêm a maioria da audiência com 84,2%, depois temos o SBT com 50,2% e a Bandeirantes com 16% (Bresser, 1996, p.25-28).

Como podemos ver, os telejornais têm um espaço significativo na vida das pessoas. Os noticiários televisivos ocupam um papel relevante na imagem que elas constróem da realidade. Acreditamos que buscar entender como eles são construídos, contribui para o aperfeiçoamento democrático da sociedade.

Este livro teve como objetivo estudar os caminhos do processo de definição do que é notícia. Para tanto, investigou-se: Como as rotinas de produção influenciam os editores de texto (jornalistas) no momento de decidir se uma notícia deve ou não entrar em um telejornal e, conseqüentemente, definir o que as pessoas vão assistir? O objeto de nossa pesquisa é a redação do telejornal RJTV1, jornal local da Rede Globo de Televisão, no Rio de Janeiro.

Leia mais em: http://bocc.ubi.pt/pag/vizeu-alfredo-decidindo-noticia-tese.html

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