quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Uma breve história do jornalismo no Ocidente

Não existe pensamento único sobre a história do jornalismo e muito menos uma opinião única sobre a sua génese. Havendo várias perspectivas admissíveis sobre esses temas, neste capítulo, como não poderia deixar de ser, desenvolve-se, essencialmente, o ponto de vista do seu autor. Em concreto, o enquadramento temático aqui proposto entrecruza a história com a teoria do jornalismo e passa pelo cultivo de seis ideias fundamentais, cujas abordagens nem sempre merecem consenso entre a comunidade académica:



1. A génese do jornalismo situa-se na Antiguidade Clássica, havendo uma retoma na Idade Moderna, graças ao Renascimento, ao desenvolvimento do espírito iluminista da Ilustração e à satisfação das necessárias condições técnicas (tipografia de Gutenberg, fábricas de papel...) e sócio-económicas (alfabetização, capital, iniciativa privada e empreendedorismo...);

2. A notícia é o dispositivo determinante e identificador do jornalismo e dos fenómenos pré-jornalísticos e os critérios de noticiabilidade têm-se mantido relativamente estáveis ao longo do tempo (“essencialmente, é notícia o que era notícia”), apesar da ampliação do leque do noticiável, que também se nota; 

3. O discurso pré-jornalístico e jornalístico (conteúdos e formatos), em todos os tempos, tem uma natureza sócio-cultural, englobando, neste quadro, a ideologia, pelo que indicia o mundo e as circunstâncias da época em que foi produzido, mas também sofre a influência desses e de outros factores, nomeadamente da acção pessoal de quem o elabora e das potencialidades e limites dos dispositivos técnicos usados para o configurar.

4. A liberdade de imprensa, conquistada na Inglaterra seiscentista, foi fundamental para o jornalismo e para o papel deste nas sociedades ocidentais contemporâneas;

5. A industrialização da actividade jornalística permitiu o aparecimento de um corpo profissional de jornalistas, mas desde o século XVII que havia “gazeteiros”, “periodistas”, que viviam da elaboração de notícias, tal com havia “empresários” da comunicação social. A profissionalização dos jornalistas no século XIX corresponde, basicamente, à reformatação de um modelo cuja estrutura, inclusivamente, já existia na Antiga Roma;

6. Perceber as teorias contemporâneas do jornalismo implica compreender a forma como o jornalismo evoluiu e os desafios permanentes ao estabelecimento de fronteiras entre o que é e o que não é jornalismo.

Leia mais em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/sousa-jorge-pedro-uma-historia-breve-do-jornalismo-no-ocidente.pdf

Texto de: Jorge Pedro Sousa
Universidade Fernando Pessoa
e Centro de Investigação Media & Jornalismo

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