sexta-feira, 30 de março de 2012

A palavra de ordem é “reinventar”

A ascensão das mídias digitais no mundo das notícias faz com que o papel do jornal impresso seja posto em xeque: irá ele se extinguir? O editor-chefe do jornal Bom Dia, de Bauru, Thiago Roque, expõe sua opinião sobre o assunto.


Por Flávia Caruso

A rapidez com que hoje a notícia é divulgada, aliada à praticidade oferecida pela internet, que une texto, imagem, vídeo e áudio em um único meio, faz com que milhares de leitores de jornais optem pelas versões online das notícias, abandonando o impresso, que já possui mais de um milênio de existência.



O fim da versão impressa do Jornal do Brasil alarmou estudiosos, jornalistas e leitores. Um dos pioneiros do ramo no país se manteve ativo por 119 anos para, em 2010, tornar-se exclusivamente digital. No mesmo caminho, o britânico The Guardian aposta na versão online como carro-chefe.
Confira análise sobre a mudança ocorrida no Jornal do Brasil.

Enquanto as mídias digitais oferecem as mais diversas formas de interação por parte do leitor, a eficiência do papel se comprova por pesquisas, como a da Universidade de Oregon, EUA, que mostra que as informações lidas nesse meio se fixam melhor à mente do que as obtidas na tela. Uma possível renovação, substituição ou extinção da mídia impressa suscita incertezas e apostas.

O editor do jornal Bom Dia, de Bauru, Thiago Roque, foi questionado sobre o assunto. A princípio, negou crer na possível extinção do jornalismo impresso por culpa do virtual. Comparou o surgimento da televisão no reinado do rádio – que, em sua opinião, continua sendo um, senão o mais, importante meio jornalístico, dada sua capacidade de lidar com o imprevisto – e concluiu que este se reinventou, o que deverá acontecer também com o jornal impresso: a função dele mudará, exercerá o papel de um meio mais analítico, abrangente, enquanto às novas mídias caberá a função da informação instantânea.

Na opinião do profissional, só há vantagens com as mídias digitais: inspiram o jornalista a trabalhar de forma diferente, já pensando em como adaptar a matéria para o meio online. Há possibilidade de interação com o leitor-internauta, além do uso de material exclusivo para o meio – como o celular que tira fotos,a máquina digital.

Para não perder seus leitores do impresso, e também como forma de se reinventar, Thiago comenta que o Bom Dia – que já preza por matérias rápidas de se ler, compactas – procura realizar um papel analítico em sua produção, o chamado “pós-noticioso”, trabalhar com as consequências da notícia – já lidando com o que ele acredita que será a verdadeira função do impresso.
Sobre sua experiência pessoal, Thiago comentou que a maior parte de sua informação, o primeiro contato com a notícia, vem da internet. Não abandona o foco do impresso, pois é o meio de trabalho dele. Relevou a praticidade dos tablets, em que certos conteúdos, como a revista Trip, leitura costumeira do editor, são gratuitos, além da comodidade na hora da leitura e da possibilidade de grande armazenamento em um pequeno objeto.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...