quinta-feira, 26 de abril de 2012

Assessoria de Comunicação

Com o advento de novas tecnologias de informação (internet, smartphones) não há mais como se privar de estabelecer canais de comunicação eficientes. O mundo está voltado para os meios de comunicação e nunca esteve tão fácil atingir o público alvo. Porém, nem toda comunicação tem resultado positivo, por isso é necessário que a mesma seja feita por um profissional competente e dedicado exclusivamente a essa função.

Eis que surge o assessor de comunicação. Nos últimos anos, a ampliação das atividades das Assessorias de Imprensa levou o jornalista a atuar em áreas estratégicas das empresas, tornando-se um gestor de comunicação. Isso privilegiou a integração de outros profissionais – relações públicas, publicidade e propaganda – numa equipe multifuncional e eficiente.

As funções básicas da Assessoria de Comunicação são: promover eventos; fazer materiais de divulgação; montar releases; desenvolver uma relação de confiança com os veículos de comunicação; criar canais de comunicação internos e externos que divulguem os valores da organização e suas atividades; avaliar a atuação da equipe, visando alcance positivo; atender a demanda de seu público alvo.

Ao assessor de comunicação cabe a conexão entre seu cliente/empresa e os assessores de imprensa e consequentemente os veículos de comunicação. Mesmo que a tendência seja para a comunicação integrada, dentro da Assessoria de Comunicação há subdivisões que englobam profissionais para cada área específica, como publicitários, relações públicas, assessor de imprensa e estratégias de marketing. É de extrema importância que o assessor oriente bem seu assessorado sobre como funcionam os veículos de comunicação e quais são suas características, assim suas chances de obter sucesso serão maiores.

Ter um bom relacionamento com os jornalistas dos veículos de comunicação é essencial para valorizar a informação divulgada por eles e gerar mais possibilidades de mídias espontâneas. A seguir, confira a entrevista com a Assessora de Comunicação da Sabesp, Cláudia Garcia Bertoni.

Como lidar com as matérias negativas que, por causa de um único erro, podem destruir um trabalho de anos? O que você faz para reverter essa situação?

Cláudia: Quando surge uma matéria negativa e a Sabesp é realmente responsável pelo fato ocorrido, eu tenho que, primeiramente, entrar em contato com o veículo que a transmitiu. Se o nível de gravidade da matéria for muito elevado, eu preciso ter a conversa pessoalmente, se não, posso apenas resolver pelo telefone. De qualquer maneira, peço para que o jornalista responsável pela divulgação da matéria ouça a versão da Sabesp a respeito do acontecido, ou seja, peço um direito de resposta. Dependendo da matéria, às vezes é melhor nem comentar nada para não piorar a situação, consertar o problema e depois lançar um release falando sobre a solução.

Você ressalta a importância do relacionamento “corpo a corpo”, que é estar presente nos momentos mais necessitados. E você disse que a Sabesp de Lins abrange 82 municípios, como dar assistência a todos? 

Cláudia: Para isso a Sabesp tem cinco gerentes de divisão para as cidades maiores que dão assistência às cidades menores. Nessas cidades menores têm os agentes de informação, que são algumas pessoas que nos auxiliam, mas não são jornalistas. Os agentes de informação são escolhidos pelos gerentes para apenas terem um bom relacionamento com a imprensa e, se o problema não for sério, os agentes ou os gerentes podem resolver o problema sem mim e sem o superintendente.

Hoje em dia a internet vem ganhando cada vez mais força e as pessoas têm preferência por acessá-la a ler um impresso; você falou que o “Jornal Mural” (informativo interno para funcionários da Sabesp) é o veículo mais acessado. Como você explica essa preferência num mundo em que a internet está mais forte a cada dia?

 Cláudia: Na Sabesp, nós não podemos acessar as redes socais, por isso encontramos uma saída com a criação do Sometime, que é uma forma de os funcionários conversarem entre si durante o expediente, e o Jornal Mural. A gente sempre coloca os murais em lugares agradáveis, por exemplo, perto da máquina de café. O funcionário que está o dia inteiro em frente ao computador, estagnado com e-mail, internet, intranet, sometime, telefone e celular corporativo, precisa de uma pausa para recuperar as energias. Sem contar os funcionários operacionais que nem têm acesso ao computador dentro da empresa. Então, eles aproveitam para ir tomar um café, bater um papinho e ler as matérias do mural, sem se preocupar com comentários do tipo: “Ele está matando o trabalho!”. Um atrativo do Jornal Mural é que as matérias são curtas, a fonte é grande e há diversas imagens ilustrativas, o que facilita a compreensão e prende a atenção dos leitores.

O assessor de comunicação é muito mais do que o assessor de imprensa, pois a profissão engloba mais funções. Como o jornalista de hoje deve se preparar para essa função e atender a demanda do mercado de trabalho?

Cláudia: Em primeiro lugar, você deve ter humildade. O jornalista recém-formado tem que estar aberto ao aprendizado com pessoas mais experientes do que ele, não pode ser preponderante e achar que sabe tudo. Você é novo no local, alguém tem que te passar o conteúdo e, nesse momento, você precisa escutar mais do que falar. O mesmo vale para o momento da realização da matéria, o jornalista inexperiente tem que saber ouvir os dois lados, sem fazer um pré-julgamento. Pode ser que isso não mude sua opinião, mas, com certeza, fará diferença na hora de escrever sobre aquele assunto.

A função dos assessores

Por Paulo Beraldo

No dia 10 de abril, em Bauru-SP, a assessora de comunicação da Sabesp, Cláudia Regina Garcia Bertoni, realizou para os alunos do primeiro ano do curso de Jornalismo da UNESP uma coletiva de imprensa. No evento, Cláudia explicou a diferença entre assessoria de comunicação e assessoria de imprensa - assunto que é alvo de muitas perguntas.

Em poucas palavras, o primeiro atua como "gerente da marca" enquanto o segundo apenas trata da relação da empresa com a imprensa. Está dentro das funções de um assessor de comunicação lidar com publicidade, eventos, administração da empresa e propagandas. Desde a elaboração de releases para jornais, montagens de boletins econômicos, visitas a prefeitos até recepções em eventos, tudo se enquadra nas funções da palestrante. Por outro lado, a atuação de um assessor de imprensa é mais restrita. Cabe a ele apenas o relacionamento com a imprensa.

De modo geral, pode-se defini-lo como um "censor e propagandista" da empresa. Tem como obrigações reverter uma má impressão causada por matérias negativas - que são raras no caso da Sabesp, segundo ela - e promover os pontos positivos. A assessora resume: "é necessário colocar o problema como solução". Na Sabesp não há distinção dos cargos. Cláudia Fernandes atua tanto como assessora de comunicação como de imprensa.

A empresa em que trabalha atende 363 municípios e tem mais de 15.000 empregados. Cláudia atua na repartição Baixo Tietê e Grande. A ela são relegadas incontáveis atividades e, para cumprir as metas, ela conta com "agentes de informação" em cada uma das 82 cidades atendidas pela sua repartição, que podem resolver os problemas menores sem que a assessora tenha que se locomover até os locais - o que impossibilitaria o serviço.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Estava estampada a realidade, ocupava as bancas a Realidade.

Considerada um marco na história da imprensa brasileira, a revista Realidade mostrava através de seus textos impecáveis outro Brasil e mundo, a realidade, enfim, aparecia frente aos olhos dos brasileiros.


Por Maria Esther Castedo Valdiviezo

Lançada pela Editora Abril em 1966, percorreu um caminho de história até 1976, levando jornalistas desde a Amazônia até o Vietnã. Criada por jovens interessados em um novo tipo de reportagem, capaz de atingir os mais variados públicos, a revista logo se tornou um sucesso. Para a década de 60, a imprensa ainda tinha como pilares essenciais um destaque maior para as fotografias do que para o texto. Surgindo daí, o referencial que levaria a revista Realidade para um novo patamar, diferentemente de tudo que já se havia lido ou visto.

O lema era um total aprofundamento do repórter no tema, levando-o a passar até um mês no mesmo lugar, observando a história. Trabalho tão árduo chegou a refletir o episódio em que José Hamilton Ribeiro, enviado especial ao Vietnã, perde a perna na explosão de uma mina terrestre. O enfoque profundo das matérias era para que o leitor tivesse uma verdadeira visão daquilo que estava redigido. Podemos dizer, então, que a revista levava seu nome totalmente a sério.

Segundo o professor de História da Imprensa da Unesp, Lasnok, “a grande virtude da Realidade era a liberdade de texto e uso da fotografia para apresentar ao leitor perspectivas não usuais naquele momento, distante da TV, distante da chamada grande imprensa.” Ou seja, os temas eram enfocados com uma lupa, capazes de darem outras visões. Mas ser um diferencial em tais tempos custava caro, como exemplo da edição de janeiro de 1967, que tinha a mulher como foco principal, contendo temas delicados como aborto, mãe solteira e separação.

O preço pago foi uma decisão judicial de apreensão da revista em todo território nacional, sendo acusada de obscena. Chegando os anos da ditadura, surgiu a preocupação do AI-5 frear as atividades jornalísticas da revista, entretanto, José Carlos Marão que trabalhou na Realidade, comenta que a equipe já estava dispersa por uma briga quatro ou cinco dias antes da formulação do ato institucional. Ademais, não havia um censor direto na revista Realidade como nas outras revistas da época, mas sim uma espécie de auto censura, na qual os jornalistas já escolhiam matérias que não fossem contra os poderes, comentou José Carlos.

 Após os anos áureos da revista, que constam ser da primeira fase de 66 a 68, há uma decaída na qualidade, sendo que vários de seus integrantes partiram para outros campos. Segundo José Carlos, “Há uma análise pelo Carlos Alberto Lins da Silva, doutor de jornalismo da USP, que diz que em um determinado momento juntaram-se uma empresa disposta a investir, um mercado de leitor disposto a ler e uma equipe talentosa disposta a inovar.”. Características que concretizaram o surgimento do new journalism no Brasil, apesar dos repórteres nunca tivessem dispostos a escrever de tal maneira, foi um trabalho inconsciente.

A revista realidade de fato trouxe nova cara para o jornalismo brasileiro, sendo capaz de influenciar as mídias da época e tratar assuntos controversos de outros ângulos. O leitor buscava o que Clarice Lispector escreveu, “Eu não quero uma realidade inventada”, mas sim, uma realidade real.

-- Confira na íntegra a entrevista com José Carlos Marão, integrante de revista Realidade

Porque você acha que a revista atingiu tão bem?

Por causa do conteúdo, basicamente. O mercado brasileiro tinha revistas semanais ilustradas muito superficiais. Realidade foi excepcional também na fotografia, mas principalmente no texto. O mercado era muito pobre de publicações, sendo ela inovadora, encontrou um mercado receptivo onde não havia quase concorrência.

As revistas O Cruzeiro e Diretrizes abriram espaço para as essa reportagem profunda. Em que a realidade se diferenciava delas? 

Vou discordar. Trabalhei também no Cruzeiro, e era totalmente diferente. Realidade era voltada para texto, Cruzeiro para as fotos. Quem abriu o caminho foi a Realidade, inovando por causa do texto.

De que modo a revista realidade influenciou os periódicos atuais?

Influenciou jornais e revistas da época, não podemos comparar com as atuais, pois houve uma revolução tecnológica a exemplo da televisão. No tempo da realidade, a TV era inexpressiva, irrelevante, o jornalismo se inovou, vindo novas mídias como a internet, e isso fez o jornalismo ir por um caminho diferente, adaptado ao mercado e a essa tecnologias. Influenciou no texto da época, 70 ou 75, depois não, pois o jornalismo encontrou novo jornalismo. O Globo Rural tem algumas reportagens como semelhança a Realidade, mas não diria que há uma influência geral.

No seu texto a Realidade fazia uma reportagem mais profunda. Hoje em dia há um enfoque muito superficial, parecem correr contra o tempo. Você concorda que o jornalista se tornou um escravo do tempo e da empresa por trás da revista? 

A ditação do tempo sempre existiu como o exemplo do jornal diário, assim como antes e agora. O desafio, claro, imposto pelo tempo hoje é maior. Vamos comparar com o rádio, você tinha que correr para dar a noticia na rádio, mas de qualquer forma o leitor iria ver a noite a reportagem na TV e ainda assim não dispensava o jornal de amanhã. Hoje com tantos profissionais e tantos meios de comunicação a notícia vai para a internet mais rápido que o rádio, em seguida já há uma equipe que analisa isso para Tv, e o jornal do dia seguinte já esta superado. Esse é o tema principal do jornalismo hoje, o uso correto de vários meios de comunicação, deveria ser discutido no meio acadêmico das universidades. A revista hoje tem mais tempo de qualquer forma, por exemplo, Istoé ou Época, os jornalistas têm tempo de ler o que saiu no jornal, na TV, na internet, e surge outro desafio: fazer uma análise mais profunda. A revista tem como definição elaborar um material mais pensado, e com reflexões, o que nem sempre acontece. Queria sabe se o senhor concorda, que o Profissão Repórter, tem um formate semelhante as reportagens da realidade? Não tenha visto o programa, mesmo sendo admirador do Caco Barcellos. Há uma parte de seu livro sobre a revista Realidade, em que fala que as reportagens pegavam uma pessoa para mostrar o coletivo, e isso vejo no Profissão Repórter. Então, sim, temos pontos de semelhanças.

Você acredita que haveria atualmente espaço para revistas como a realidade? 

Há o espaço para leitura, menor como foi antigamente, mas não faria um sucesso de vendas, como realidade estourou. Há pessoas que gostam de ler e há gente que sabe escrever para tais pessoas. Desde que o empreendedor se conformasse com uma publicação não tão grande em termos de circulação, creio que há espaço, não haverá muito grande, somente com a ajuda de grandes anunciantes.

Que consequências diretas da censura, especialmente do AI5, fizeram a revista se transformar? 

Houve uma briga interna antes do AI5, dispersando a equipe. Havia pressões da empresa e a equipe resistia, mas em certo momento o equilíbrio se rompeu, quatro ou cinco dias antes da AI5. Depois, o ato institucional influenciou a revista. Não houve um censor direto na Realidade, mas havia uma espécie de auto censura, já se escolhia matérias que não fosse provocar os poderes da época, isso claro contribuiu para a decadência da revista.

Havia um espírito coletivo de criação, principalmente nas reuniões de pauta. Você acredita que inda existe esse espírito de se reunir?

 Ele pode existir. Depende das pessoas desde que haja um objetivo em comum, gostarem do que fazem e houver unidade de pensamento, é possível sim, talvez haja em alguns lugares. Sempre que pessoas jovens estão de acordo com o que fazer, vão se reunir e discutir os melhores caminhos, sem brigas. Aquela equipe era muito unida, era lindo.

Podemos contar com aquele bordão de que “as pessoas certas estavam na horas certas e nos locais certos”? 

Mais ou menos isso. Há uma analise pelo Carlos Alberto Lins da Silva, doutor de jornalismo da USP, em um determinado momento juntaram-se uma empresa disposta a investir, um mercado de leitor disposto a ler e uma equipe talentosa disposta a inovar. Essa coincidência é difícil acontecer de novo, mas pode acontecer, um dia.

Dizem que o que influenciou a Realidade foi o new journalism, você afirmaria essa ter sido essa a principal?

Todos tinham lido Capote e pessoas do gênero. Mas ninguém se sentia fazendo new journalism. Quando eu sentava não dizia “agora vou fazer new journalism”, não. Sentava e dizia “vou fazer uma matéria que todos entendam e gostem, quero que tanto um doméstica como um PhD em Direito leiam e entendam minha matéria. Não poderia ser tão difícil para a doméstica e nem superficial para o Phd. Pensávamos isso , e acabou resultando que chamaram nosso trabalho de new journalism, talvez fosse uma tendência mundial que inconscientemente íamos seguindo.

Não havia um publico de preferência? 

Não, na época pensamos em ser dirigida a classe media habituada na leitura, homens, mulheres e basicamente jovens. Mas o sucesso foi grande, atingindo todas as faixas, tanto econômicas, etárias culturais e educacionais.

Havia uma maior aproximação entre repórteres e leitores, como estava sendo recebida nas bancas o material, certo? 

Sim, ficávamos vendo quem comprava. Perguntávamos por que ele comprou , “isso é bom?”, “porque comprou?”. As mulheres eram que principalmente compravam. E até homens, o que era espantoso, e isso era interessante.


Veja capas que marcaram a revista Realidade. http://www.flickr.com/photos/50091511@N06/with/4596226318/ 

Assessor de Comunicação: de jornalista a estrategista da informação

Por Henrique Cézar

A necessidade de estar cada vez mais próximo do público fez com que organizações e instituições em geral desenvolvessem nas últimas décadas canais de comunicação eficientes e ao mesmo tempo capazes de integrarem estratégias e ações para aprimorar o fluxo de informações entre as partes envolvidas. Frente às exigências do mercado, o assessor de imprensa passou a ser parte integrante da estrutura, dando lugar ao assessor de comunicação social (ACS), com novas funções, responsabilidades e desafios.

Leia Também: Em busca da sintonia com o público alvo

De acordo com Elisa Kopplin Ferraretto e Luiz Artur Ferrareto, autores do livro Assessoria de Imprensa – Teoria e Prática, o profissional de assessoria de comunicação social realiza um serviço de coordenação das atividades de comunicação entre um assessorado e seus públicos, estabelecendo políticas públicas e estratégias que englobem ações nos campos do jornalismo, relações públicas e publicidade e propaganda.


Para Claudia Regina Garcia Bertoni, assessora de comunicação da SABESP – Unidade de Negócios Baixo Tietê e Grande, com sede na cidade de Lins/SP, e responsável por 82 municípios ligados a região, a tarefa do ACS é bem mais ampla do que a do assessor de imprensa e não se restringe ao relacionamento com a mídia.

Além do contato com os veículos de comunicação na produção de releases, reportagens, notas de esclarecimento e divulgação de informações solicitadas, cabe ao profissional à elaboração de estratégias e ações para o relacionamento interno da empresa nas cidades, através dos boletins, informativos e jornais murais.

Também é responsabilidade a realização completa de eventos da entidade, com o desenvolvimento de planejamento estratégico, material de divulgação e brindes, assim como o desenvolvimento de projetos e planos estratégicos da empresa, o gerenciamento dos fornecedores ligados a ações de comunicação e a assessoria direta aos dirigentes da empresa, com acompanhamento em visitas e organização de cerimônias.

Com tantas atribuições e uma equipe reduzida, Bertoni afirma que a postura do assessor de comunicação é decisiva no resultado do trabalho, havendo, sobretudo, a necessidade de criar um bom relacionamento com os jornalistas, utilizando para isso estratégias como o corpo a corpo com a imprensa e a criação de oportunidades para o encontro entre profissionais e posterior divulgação da marca da empresa na mídia.

Contudo, para Cláudia Regina, a missão, mesmo sendo extremamente trabalhosa e exigindo dedicação, humildade e ética, se torna satisfatória e gratificante com cada resultado alcançado, comprovando o profissionalismo adotado pelas assessorias de comunicação, principalmente no setor público. A Assessoria de Comunicação Social é responsável ainda por toda a exposição da marca da empresa na mídia e se encarrega do desenvolvimento de planejamentos estratégicos que irão conduzir todo o processo de comunicação do assessorado.

Fotojornalismo: do analógico ao digital

Por Caroline Braga
Desde a antiguidade o ser humano interessa-se pelos fenômenos da luz. Ao longo dos séculos esse interesse se desenvolveu na arte conhecida como fotografia.
O embrião da fotografia é a chamada câmara escura – aparelho óptico que consiste em uma caixa com um furo em um dos lados, pelo qual passa luz de um lugar externo até atingir uma superfície interna, onde há a reprodução de uma imagem invertida.

Daguerre, Paris Boulevard, 1839


Em 1826, após vários avanços científicos, o francês Joseph Nicéphore Niépce produziu a primeira fotografia permanente. No entanto, o processo, denominado heliografia, era bastante rudimentar – exigia cerca de oito horas de exposição à luz do Sol.

Leia mais: As origens e evoluções da fotografia

Ao longo do século XIX a arte da fotografia continuou a se modernizar e a se popularizar. Em 1939, Daguerre desenvolveu um processo que diminuiu o tempo de revelação de uma foto de horas para minutos – chamado daguerreotopia. Em 1888 a empresa Kodak popularizou a máquina fotográfica segundo a estratégia de marketing “todos podem tirar suas próprias fotos”.

A fotografia digital – juntamente com programas de edição de imagem, como o Photoshop – fazem parte da revolução sofrida pelos sistemas fotográficos a partir do final do século XX. São, portanto, continuações naturais das modernizações iniciada no século anterior.

Confira entrevistas com fotógrafos sobre as mudanças decorrentes dessa revolução.

Saiba mais:
Sobre a evolução das máquinas fotográficas

Sobre a história da fotografia


Fontes:

Agnaldo de Paula - agnaldophoto@hotmail.com

Osvaldo Minoru Ota - fotooswaldodigital@gmail.com / www.fotooswaldo.com.br

Rádio UNESP Virtual: Da teoria à prática

Um dos maiores projetos de extensão da UNESP Bauru permite, desde 2004, que alunos e professores exerçam a experiência de fazer rádio.
Por Adriana Kimura e Isabela Romitelli.

A transmissão de rádio via internet foi uma das alternativas encontradas pelo meio radiofônico para acompanhar a movimentação dos demais veículos de informação diante do advento da internet. A nova maneira de transmitir se popularizou devido à facilidade e ao menor custo para se manter uma emissora nesse meio.




Visite: Site da Rádio UNESP Virtual
Veja mais: Entrevista com o Prof. Dr. Antonio Francisco Magnoni


Para preparar os futuros profissionais da área, a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da UNESP, campus de Bauru, criou um projeto de extensão vinculado à produção radiofônica. O projeto conta com a colaboração de alunos e professores dos cursos de Jornalismo e Rádio e TV e oferece-lhes a oportunidade de experimentar, na prática, a execução da locução, da editoração e da reportagem destinada ao meio radiofônico.

Segundo alunos participantes da Rádio UNESP Virtual (RUV), apesar de o projeto ser voltado para interesses da cidade, a emissora atinge poucos ouvintes e , portanto, não exerce grande influência na região. Uma das dificuldades apontadas pelos colaboradores é a falta de infraestrutura, já que o servidor da RUV não suporta muitos ouvintes. Por outro lado, todos os editores entrevistados destacam a importância do Projeto que, muitas vezes, desempenha o papel da primeira experiência jornalística para os alunos.

Os estudantes envolvidos com a RUV devem acompanhar as gravações, mediar contato com o alto escalão da rádio, acompanhar o processo de formulação dos roteiros, administrar os repórteres e atuar como seu principal auxílio no que concerne à concretização da matéria.

A experiência de participar do projeto colabora também para o currículo dos universitários. João Victor de Oliveira - editor de esportes da RUV e aluno do segundo ano de Jornalismo - destaca, ainda, o aspecto da satisfação pessoal em participar do projeto de extensão: “Entrar na rádio, para mim, foi a melhor forma de aprender a trabalhar com o meio radiofônico.

Além disso, existe também o fato de que trabalhar na rádio é algo gratificante. O prazer de ver seu programa indo ao ar, mesmo que para poucos ouvintes, é muito grande.” Um dos aspectos positivos da Rádio UNESP é que a grande variedade da programação atende aos mais diversos interesses e preferências dos colaboradores e ouvintes.

Revista Ponto e Vírgula, Arquibancada, Comando Login, Roda Sertaneja e Estilo Claquete são alguns dos programas transmitidos pela Rádio; de futebol a tecnologia, de música sertaneja a cinema e moda. Entre erros e acertos, a Rádio UNESP Virtual se mostra um projeto antes de tudo feito com muita dedicação por aqueles que a realizam. Mais que um laboratório é uma chance única para os graduandos colocarem na prática parte daquilo que aprenderam na sala de aula. Fica a torcida para que a RUV extrapole a relevância na universidade e possa vir a ser valioso para toda Bauru.

O repórter é, antes de tudo, um mediador

POR KEYTYANE MEDEIROS
O repórter e apresentador do programa Tem Notícias da TV Tem, Giuliano Tamura, recebe nossa equipe de reportagem e fala um pouco mais sobre a rotina e as dificuldades de um jornalista televisivo.

O papel do repórter é a coletar fatos e informações para sua veiculação, seja em rádio, TV ou impresso. Esse trabalho deve vir acompanhado de é tica, clareza e objetividade, fundamentais no jornalismo. Além disso, o repórter, principalmente o televisivo, deve saber lidar como desgaste e a ausência de rotina na hora de fazer as matérias.

É o que nos conta Giuliano Tamura. Ele tem 37 anos e é formado pela Universidade Estadual de Londrina desde 1997. Giuliano conta que sempre quis fazer jornalismo impresso, mas mudou de ideia quando, no último ano do curso, uma professora de telejornalismo levou uma fita de gravação para a sala de aula. “Eu fiz um teste que foi enviado para a afiliada da Rede Globo de Londrina, a Tv Coroado. Não me deram resposta e só depois de duas semanas me ligaram perguntando se eu gostaria de cobrir férias de outro jornalista.

A partir daí, comecei a trabalhar como repórter da emissora afiliada da Globo.” Logo nas primeiras coberturas, Giuliano percebeu que havia se adaptado ao veículo, apesar de não haver rotina no jornalismo televisivo. “Em TV geralmente, a cobertura é geral. Nós cobrimos tudo, futebol, política, agronegócio”. Sua rotina como apresentador começa por volta das 10 horas da manhã, quando chega à redação e já está informado das principais notícias da região. Depois de editar e escolher as reportagens que irão ao ar, Tamura se dedica à gravação das passagens para o programa que é transmitido ao meio dia. No período da tarde Giuliano Tamura inicia seu trabalho como repórter, recebendo pautas e apurando matérias.
“O bacana da TV é que você fala desde o cara com pouca instrução até o pós-doutorado, você precisa tomar cuidado para não humilhar o mais humilde e nem subestimar o espectador mais preparado”.
Com relação à pauta, Tamura diz que o repórter de uma grande rede de comunicação tem liberdade de interferir e até opinar na pauta, mas quando pauteiros e equipe de reportagem discordam sobre o tema, não há tempo para produzir pautas novas e confiáveis para a TV.

Entretanto, também é possível que o repórter conduza a matéria de forma diferente do que a planejada pelos produtores já que essa “mudança de rota” depende da sensibilidade do repórter no momento da apuração dos fatos. A adaptação da notícia factual para o modelo televisivo pode ocorrer de duas formas. Em uma delas, o repórter simplesmente recebe a notícia e deve ir ao local do acontecimento colher informações e imagens que serão usadas em passagens e VT’s. “Na televisão, a imagem é muito importante e cada detalhe é crucial para a construção do texto e da notícia”.

Uma outra forma consiste na produção da matéria através do encaminhamento dado pelos pauteiros. Para o apresentador, o repórter televisivo deve mostrar a realidade para as pessoas, contar o que está acontecendo. “Somos os historiadores do dia a dia e ao mesmo tempo, somos fontes de referência para a população.” Por ter papel de destaque no cotidiano das pessoas, o jornalista tem o poder de suscitar discussões na sociedade e de intermediar a relação entre a população e as autoridades locais.

Quando perguntado se é possível manter a objetividade no jornalismo televisivo, Giuliano Tamura responde que esse ponto é “discutível”. Afirma que na primeira edição do Tem Notícia, por exemplo, há mais comentários por conta do próprio formato de apresentação do jornal, mas a edição do horário nobre é mais extensa e menos opinativa.

Giuliano acredita ainda que o formato do jornal interfere na receptividade da notícia pelo público, já que a apresentação feita em dupla por dois âncoras pode aguçar o senso crítico do telespectador. Mesmo após 16 anos dedicados ao jornalismo televisivo, Giuliano Tamura ainda se emociona ao falar dos profissionais que influenciaram sua carreira e afirma, categoricamente que “a televisão ainda é o meio de comunicação mais fascinante.” A justificativa é simples: a TV não é discriminatória, ela consegue falar com moradores de favela e de bairros nobres usando exatamente a mesma linguagem.


FONTES: TV Tem Bauru: http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/ 

Mais informações sobre Giuliano Tamura: http://www.casamidiatica.com.br/facilitador/index.php?id=58

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Telejornais da hora

Com diferentes públicos, telejornais se adaptam conforme horário de exibição.


A televisão é um dos principais meios de transmissão de informação no Brasil e no mundo. Por meio dos telejornais, o telespectador acompanha as novidades desde o amanhecer até o horário de dormir. Porém, a cada horário, os telejornais utilizam um formato diferente.

Roberta Chevitareze, repórter da TV TEM, aponta como isso ocorre. Ela explica que cada telejornal possui características distintas, não somente pelo horário, mas também na abordagem, conteúdo, tamanho e público. Pela manhã, os espectadores não estão absolutamente concentrados na transmissão. “Então a reportagem tem que apelar para o sonoro, algo que chame também a atenção auditiva do espectador”, explica Roberta. Devido a isso, as matérias são menores, em formato de boletim. Ela informa também que a tendência é abordar mais as pautas policiais e de prestação de serviços.

Apesar de estar no horário do almoço, os telejornais do meio dia possuem um público mais atento ao que é transmitido. Com o risco da repetição do que foi dito pela manhã, Roberta explica que as reportagens são suitadas, ou seja, explora-se o desenrolar do assunto. “Vamos supor que durante a manhã ocorreu um baita acidente e demos uma nota sobre isso. Na hora do almoço, já pude ter conversado com mais fontes e obtido maiores e novas informações”, exemplifica.Por ser o telejornal de maior duração, também são abordadas matérias de culinária, variedades e temas que abranjam maiores públicos.

Chamado de nobre, o telejornal noturno possui um público diferente. Com maior audiência, possui metade do tempo do jornal do meio dia. Isso influencia no conteúdo do programa. São inseridas em suas reportagens temas como economia e política. “O público noturno é aquele que está afim de assistir ao jornal”, e acrescenta, “é a hora em que está mais bem preparado para receber notícias mais completas”, justifica.

Apesar das diferenças, todos os telejornais possuem uma característica forte em comum: o vocabulário. Roberta explica que nos dias atuais, existe a cobrança de que os telejornais sejam trabalhados em um vocabulário mais simples, sem se tornar coloquial, com a intenção de tornar todos os telejornais acessíveis à qualquer classe da audiência.

Amada-net.

As redes sociais ainda causam muita polêmica. Talvez seguindo os moldes da má fama do vídeo-game nos anos 90, quando este era culpado por problemas de vista, comportamentais, e más notas no colégio. A internet hoje, e seus sites de relacionamento, costumam carregar nas costas diversas polêmicas e alguns mitos. Mas, até onde vai o poder de informação e influência do Facebook e Twitter sobre as pessoas?




Leia mais: A importância das redes sociais no jornalismo


Alguns internautas ainda se perdem ou confundem-se no meio entre jornalismo virtual e as informações que se podem obter via redes sociais. O jornalismo na Web existe, e é tão sério e responsável quanto o jornal impresso ou qualquer outro mais convencional.
Hoje é muito comum obtermos informações no twitter ou facebook, porém, quando fornecidas por portais jornalísticos, servem como atrativo aos leitores, e não como informação completa.

Mas e quando o usuário utiliza desse espaço para publicidade? Ou quando um grupo realiza manifestações/atos políticos através de recursos oferecidos no facebook? E as polêmicas brigas entre torcidas organizadas “agendadas” na rede?
Segundo o guitarrista, bacharel em Direito e apaixonado por futebol, Rodolfo Braga, 25, a internet e as redes sociais são o principal meio de marketing “(...) são basicamente a única forma de nós, artistas independentes, podermos divulgar nosso trabalho para a massa (...) nas redes sociais nos deparamos com um serviço muito bom, se bem usado, de grande alcance e totalmente grátis”.
Quando questionado sobre as provocações que ocorrem principalmente em dias de jogos ele diz: “desde que saudáveis, as provocações e brincadeiras são sempre bem vindas” e ainda ressalta “qual a graça do meu time vencer e eu não poder tirar sarro do meu amigo? O problema é que geralmente as pessoas não se atendem, sempre perdem o limite e acabam ofendendo as pessoas. Futebol é paixão, é sentimento, mas tem de existir limites e respeito sempre”.


Os espertos já entenderam o potencial dessa tal internet, e 2012 irá nos provar isso.
Estamos em ano eleitoral, e é possível notar pré-candidatos que já utilizam as redes sociais para autopromoção, ou para se aproximar de seus eleitores. A internet já ajudou a espalhar idéias e unir pessoas contra algum político, como o efeito Marina em 2010, e o caso Hélio em Campinas – 2011. E pode também agora ajudar alguém a se eleger. O importante é sempre utilizar essas ferramentas com inteligência e senso crítico. De nada adianta culpar a rede social, já que ela é comandada por pessoas, e são delas que surgem a boa ou má intenção.

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Horóscopo: um gigante no impresso

por: Vitor Fávero

Desde que se tem conhecimento sobre ela, foi sempre um objeto de dúvida. A astrologia sempre dividiu opiniões: os que não passam um dia sem seguir e os que não dão uma lida sem rir. Apesar disso, o horóscopo continua sendo uma das colunas mais lidas na maioria dos jornais.

Leia mais: O que os astros dizem? Uma análise sobre os aspectos estruturais e funcionais do
gênero horóscopo em um jornal britânico



"A crescente do horóscopo no jornal impresso."


O primeiro horóscopo publicado, ainda que de forma manuscrita, surgiu em Roma, no ano 129 da nossa era, pelas mãos do tribuno Tibério, que redigiu um "almanaque astrológico".

O horóscopo sempre foi associado ao misticismo, ao sobrenatural, e, pra conseguir espaço em um veículo com características racionais como um jornal impresso, é essencial que tenha um grande retorno dos leitores.

Em editoras especializadas como a Alto Astral, segundo João Bidu, astrólogo, as publicações contam com uma equipe focada em fazer horóscopo de acordo com sua filosofia. São cinco publicações impressas dentro da editora, o que prova o poder do esoterismo no veículo atual.

Ainda de acordo com João, existe um desafio em manter a periodicidade do horóscopo, uma vez que é muito trabalhoso sair do lugar comum e fazer um horóscopo diferente do que foi feito no dia anterior.
Já em jornais que não são voltados especificamente para a astrologia, é mais complicado manter uma equipe focada somente nos astros. Porém, empresas sérias como a Folha de São Paulo contam com pelo menos um profissional do ramo para as publicações. Já em jornais menores, não é de se espantar que o horóscopo seja feito por qualquer um, mesmo que não esteja em um dia tão inspirado. Daí também é que surgem os risos dos céticos, da total incerteza de veracidade contida nas palavras dedicadas ao horóscopo.


Ao público que já não passa os dias sem dar uma olhada no que os astros dizem, vai um alerta da psicóloga Rosemary Pandolfi: “As pessoas que usam o horóscopo como guia diário e já não tomam atitudes sem antes se basear no que ele diz estão deixando que a insegurança prevaleça. O horóscopo não deve virar uma dependência”.

Para ver com os ouvidos

Por Heloísa Kennerly

São tempos visuais, não se pode negar, é só ligar a TV, navegar na Internet, ler uma revista ou jornal: Tudo feito para os olhos, o que faz o rádio parecer um meio de comunicação antigo e ultrapassado. Mas, afinal, houve (e tem quem diga que há) certa magia em ligar aquele velho radinho de pilha e ouvir as notícias, a voz segura do locutor ou uma balada qualquer.

Leia também: Rádio e Internet: Uma mistura que deu certo

Costuma-se dizer que o rádio não foi inventado, mas descoberto. As ondas eletromagnéticas já circulavam por aí, mas sem uso da humanidade e, portanto, vazias das preciosas informações que hoje são impregnadas.
A comunicação sem fio foi revolucionária, não só no comércio e nas guerras, mas na difusão da cultura regional, nacional e mundial. A partir do anos 1930, o rádio ganhou força no Brasil e, até o fim dos anos 1950 seguiu-se o que chamamos de “Era De Ouro do rádio”.

Repórter Esso

Um símbolo dessa época é o Repórter Esso patrocinado pela empresa norte-americana Standart Oil Company of Brazil (A ESSO do Brasil)


O programa Repórter Esso, O Seu Repórter Esso, fez grande sucesso por não se limitar às notícias de jornais nacionais, mas sim, receber informações diretamente de uma agência de notícias americana, tendo assim, conteúdo quase exclusivo no Brasil.

Patriotismo radiofônico


Durante a Era Vargas, o rádio adquiriu maior força política e cultural com os discursos de Getúlio que cativavam o público e com as radionovelas que conquistaram uma audiência fiel, composta principalmente de mulheres.


A difusão cultural foi consolidada assim como a pronúncia do português, embora os sotaques regionais tenham sido preservados. A música popular ganhou os ouvidos do povo, artistas, humoristas, cantores e jornalistas ficaram famosos: grandes comunicadores como Ary Barroso, Roberto Marinho (que mais tarde fundou a Rede Globo), Carlos Lacombe e Cândido Fontoura, dentre tantos outros, se estabeleceram na época.

Enfim, o rádio uniu países em lutas políticas em um patriotismo que não se vê mais. Não era preciso ver, não havia imagens. No rádio, é preciso apenas imaginação e bom ouvido, apenas o áudio... e o seu ouvinte, é claro.

Saiba mais em: A Era de Ouro do Rádio – Fábio Pirajá – O Radionauta

Fotojornalismo e suas Premiações

Por: Isabella Holouka

A fotografia, desde a sua invenção, tornou-se importante na vida das pessoas e garantiu espaço significativo também no jornalismo. O surgimento e o destaque que grandes premiações de fotojornalismo ganham todos os anos, no mundo todo e em diferentes proporções são apenas mais uma evidência da capacidade que a fotografia tem de transmitir aos homens diferentes sensações.

Confira também: Grandes fatos, grandes fotos


Barbara Davidson para o Los Angeles Times, dezembro de 2010, ganhou o Prêmio de Fotografia Pulitzer, sobre vítimas da violência das gangues das cidades


As premiações de maior destaque mundial são denominadas World Press Photo e o Prêmio Pulitzer. O último, por se designar a trabalhos de excelência no jornalismo, na literatura e na música, possui também a categoria Fotografia. A premiação é administrada pela Universidade de Colúmbia, de Nova Yorque, e foi criada em 1917 por desejo de Joseph Pulitzer, que deixou, ao morrer, uma quantia de um milhão de dólares para a criação de uma Escola de Jornalismo na universidade. A categoria, no entanto, só foi anexada às outras em 1968 e possui dois prêmios, "Fotografia" e "Fotografia em cobertura especial".


Carol Guzy para o The Washington Post, sobre o terremoto no Haiti em 2010, ganhou o Prêmio Pulitzer de Fotogrrafia em cobertura especial


Já a World Press Photo é uma organização independente e sem fins lucrativos com base em Amsterdã, que foi fundada em 1955, e que realiza anualmente o mais prestigiado concurso-desafio de fotojornalismo do mundo. Os vencedores das 9 categorias tem suas obras em uma exposição itinerante que passa por cerca de 40 países, depois da cerimônia.



Yasuyoshi Chiba, levou o 1º lugar da categoria “General News Stories” do “World Press Photo Award”, com foto da sobrevivente do tsunami japonês Chieko Matsukawa, em abril


A avaliação das fotografias geralmente segue três critérios básicos: o valor jornalístico da imagem; a qualidade e o valor técnico da fotografia; e o valor artístico, em que contam a originalidade e a criatividade do fotógrafo e a estética da imagem. No entanto, a importância da mensagem contida na fotografia tem maior relevância que os demais critérios, tanto que muitas vezes o restante é desprezado, sendo levado em conta o acontecimento retratado, a forma como foi obtida a fotografia e a habilidade do fotógrafo em escolher o equipamento adequado e utilizar favoravelmente as condições existentes no momento.

Foto do Ano de 2011 para o “World Press Photo Award”, de Samuel Aranda, mostra mulher a segurar um ferido durante protestos contra o ditador Ali Abdullah Saleh, no Iêmen


Os vencedores e finalistas de 2012 do Prêmio Pulitzer serão anunciados dia 16 de Abril, enquanto que os vencedores do Prêmio World Press Photo foram anunciados dia 10 de fevereiro de 2012.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A vida pela pauta

Por: Pedro Salgado

Está no juramento do jornalismo: “Juro empenhar meus esforços para construção de uma nação consciente”. Mas qual o limite desse esforço? Para alguns, a morte. Na cobertura de conflitos armados não basta papel e caneta, é preciso uma série de precauções que vão desde treinamento de primeiros socorros até telefones úteis como fontes, autoridades e organizações.

A cobertura jornalística da guerra do Vietnã, nos anos 1960, chocou e mobilizou o mundo com fotos e relatos inesquecíveis. O retrato e o sofrimento causado pelo gás mostarda, monges ateando fogo no próprio corpo como forma de protesto, execuções a queima roupa e outras barbáries. Tudo documentado e revelado a todos. Coberturas jornalísticas como a do Vietnã revelam a importância do jornalista e o seu dever de manter vivo histórias tão marcantes como essas.







Um “divisor de águas” na história da mídia foi a cobertura da CNN (Cable News Network) na Guerra do Golfo em 1990. Foi a guerra noticiada em tempo real que “não houve mortos”. Esse é o poder da mídia. Não é preciso falsificar uma notícia para se obter vantagens pessoais, apenas omitir certas informações. Na guerra em questão, foram mais de 140 mil mortos e nenhum corpo exposto na cobertura em tempo real. Mas não são apenas os envolvidos na guerra que sofrem perdas, agências de notícias também.

O relatório da INSI (Instituto de Segurança Internacional de Notícias) mostra que nos últimos 10 anos mais de 1.000 jornalistas morreram na cobertura de conflitos armados. Entre os países com pior histórico de violência contra a imprensa o primeiro é o Iraque, seguido da Somália, Filipinas, Sri Lanka e Colômbia. O Brasil está em décimo segundo. Conflitos armados por aqui ocorrem com freqüência, principalmente na guerra contra o tráfico de drogas. A invasão do Complexo do Alemão, em 2010 no Rio de Janeiro pelas forças armadas e a polícia. O objetivo era recuperar uma extensa área dominada por traficantes.

A repórter Rosana Cardin e o produtor executivo João Almeida, da TV Record, participaram de várias coberturas de conflitos armados pelo país. Para ela, “risco sempre tem, mas a experiência de várias coberturas a gente sabe como e onde se posicionar”. Mas segundo ele, “o jornalista quer a melhor imagem, a melhor entrevista e nem sempre essas coisas combinam com o posicionamento da polícia. Vou te dar o exemplo do Gelson, cinegrafista da Band (TV Bandeirantes), que foi assassinado durante uma cobertura de ocupação no Rio de Janeiro, dias antes da ocupação da Rocinha”. Ambos afirmam que a sensação de dever cumprido ao chegar à redação com a notícia é “sensacional” e “muito bom”. Mas para isso acontecer em segurança é preciso “ouvir e seguir a risca as orientações da polícia e usar um bom colete a prova de balas”.

Rosana Cardin e João Almeida em cobertura de conflito armado, pela TV Record.




Legendas:


Foto 1 - General sul-vietnamita Nguyen Ngoc Loan, chefe da polícia nacional, dispara sua pistola contra a cabeça de Nguyen Van Lem, oficial Vietcong, em Saigon. Com a foto, o fotojornalista Eddie Adams, ganhou o Prêmio Pulitzer daquele ano. 01/02/1968. Foto: Eddie Adams/AP
Foto 2 - Monge budista, Quang Duc, ateia fogo em seu próprio corpo, como forma de protesta contra a perseguição aos budistas por parte do governo sul-vietnamita. Saigon, 11/06/1963. Foto: Malcolm Browne/AP
Foto 3 - Kim Phuc, na época com 9 anos, foge após ataque com bomba de napalm. Trang Bang, Vietnã, 08/06/1972. Foto: Nick Ut/AP
Foto 4 - Rosana Cardin e João Almeida em cobertura de conflito armado, pela TV Record.





Entrevista João Alves, produtor executivo TV Record


Quais são os riscos de uma cobertura de conflito armado?

O risco para o jornalista é sempre muito grande neste tipo de cobertura. A polícia, quando vai para este tipo de conflito, vai preparada para fazer o trabalho dela, que é ataque e revide. Um jornalista vai preparado para fazer o trabalho dele, que é estar atento a tudo. As adrenalinas são diferentes. O jornalista quer a melhor imagem, a melhor entrevista e nem sempre essas coisas combinam com o posicionamento da polícia. Vou te dar o exemplo do Gelson, cinegrafista da Band, que foi assassinado durante uma cobertura de ocupação de favela no Rio de Janeiro, dias antes da ocupação da Rocinha.

Como se preparar?

Você tem sempre que ouvir a polícia. Tem que estar sempre com eles. Tem que saber o momento certo para sair da área abrigada que você está para poder gravar sua matéria, seja ela para jornal, rádio ou televisão. Não tem muito como se preparar tecnicamente. Você tem que ter o olhar preparado para o que está a sua volta. E claro, o máximo de cuidado para não ser atingido.

O que você faz para se sentir seguro durante a cobertura?

Geralmente numa cobertura como essa, há um local onde ficam os jornalistas. A polícia orienta todos a só saírem quando houver permissão, ou seja, quando houver segurança.

Você usou colete a prova de balas e se sentiu seguro com ele?

Eu usei colete a prova de balas em várias situações. Uma delas, no estado de Alagoas, onde acompanhamos a prisão de um grupo de extermínio. Neste caso, me senti seguro, pois estava usando um colete da polícia. Quando usamos coletes da imprensa é mais complicado, pois eles são mais frágeis. Se você estiver num local como Rio de Janeiro, onde os bandidos usam armas pesadas, não tem como se sentir seguro, pois os coletes não suportam balas de fuzil.

Esteve sempre acompanhado de policiais para aumentar sua segurança?

Sim. E sempre ouvindo e seguindo a risca as orientações deles. É a melhor forma de estar seguro. Talvez, a única.

Como fazer um cobertura independente sem se expor à violência?

É muito difícil. Conheço jornalistas independentes que são das comunidades. Na favela da Rocinha, por exemplo, contratei o serviço de um cinegrafista, que era jornalista e morava na favela. Ele sabia onde poderia gravar, estando seguro. Não tem outro jeito.

Como proceder na cobertura?

Seguindo as orientações da polícia, ou seguindo as orientações de quem mora naquela localidade.

Qual a sensação (recompensa) de voltar para redação com a notícia?

É muito bom. Sensação de dever cumprido e sensação de estar inteiro para outra cobertura, caso necessário. A notícia não para nunca. Ainda bem!!!


Entrevista Rosana Cardin, repórter TV Record




Quais são os riscos de uma cobertura de conflito armado?


Então, risco sempre tem, mas a experiência de várias coberturas a gente já sabe como, onde se posicionar. Sempre quando chegamos procuramos o chefe da operação e perguntamos os detalhes. O ideal é seguir orientações. Claro que tudo pode sair errado. Mas a adrenalina é tanta e a vontade de trazer é noticia é maior ainda que na hora não se pensa muito.

Como se preparar?


Não tem preparo. Acho que é o dia a dia. A primeira é mais difícil, por ser tudo novo. Mas a segunda em diante a gente sabe mais ou menos onde vai. E se te mandam pra aquilo sabe que você pode dar conta. Ainda tem a pressão de trazer o material. Quando você retorna pra empresa, ninguém quer saber o que você passou na rua, mas sim se o material ficou bom.

O que você faz para se sentir segura durante a cobertura?


Procuro conversar com fontes policiais, que normalmente não estão no foco, aqueles que ficam mais fazendo a guarda, eles normalmente dão dicas. Ou até mesmo moradores, vendedores ambulantes. Trabalhando a gente tem sempre que respeitar os limites da operação. Mas, me sinto segura totalmente segura quando consigo a imagem ou informação que queria, entrego meu material, dá audiência... e volta pra casa.


Você usou colete a prova de balas e se sentiu segura com ele?


Tiveram situações que usei, Morro do Alemão, Morro do Cruzeiro, peguei emprestado, porque já haviam acabado os coletes no Rio de Janeiro, fomos de São Paulo e não tinha mais nem pra alugar. Usei apenas ha hora de aparecer no vídeo. Mas o colete a prova de balas liberado para civil, que é o nosso caso, é o AI ou AII se não me engano (A um ou A dois). Eles protegem contra calibre 38, mas em nenhum das operações que participei os bandidos usavam essas armas. Se depender do colete não me sinto segura. Já usei um que é liberado apenas para forças armadas que tem placa de cerâmica. Num operação com a PF, à noite, no Rio Paraná, fronteira Brasil, Paraguai. Inclusive com capacete balístico. Me senti um pouco mais segura, mas é bem difícil de se locomover. Muito pesado. Mas foi necessário, pois os contrabandistas do lado paraguaio não perdoaram e atiraram. Acertaram por sorte a lateral do barco que é blindada.

Esteve sempre acompanhada de policiais para aumentar sua segurança?


Nas operações sim. Mas, já entrei no Morro da Rocinha com o líder comunitário. Aí depende da relação que ele tem com os traficantes. Muitas vezes quando é pra falar bem ou trazer beneficio. No caso da Rocinha era a pacificação. O líder depois que mostrou a comunidade pra nossa equipe 12 horas antes da pacificação, foi preso. Dizem por envolvimento com o trafico. Uns falam que foi armação, mas até agora não se sabe.

Como fazer um cobertura independente sem se expor à violência?


Não somos heróis. Temos que saber a hora certa de fazer. Mas um recurso que o jornalismo nos dá é a câmera escondida. Primeiro gravamos o flagrante e depois mostramos para as autoridades. Ou podemos chegar depois com a câmera aberta, dependendo da denuncia. Mas, o mais importante, é o repórter não querer bancar o heróis e ele querer resolver. O furo é importante, mas a nossa vida é mais. Estamos lá para dar a noticia e não virar noticia.

Como proceder na cobertura?


Como eu disse. Quando chegamos, já sabemos porque estamos lá. Sendo assim, precisamos procurar a autoridade no local. Apesar de termos que chegar com outras fontes, mas os dados sempre são oficiais. São eles que vão nos dar toda a referencia do que vai acontecer. Ai se sair como eles previam é uma matéria. Ao contrario, também é. Temos o referencial ou histórico do local... O melhor é poder trazer a visão da população que é obrigada a conviver com isso. A visão do policial que também trabalha com isso... Tem a parte política, social, curiosa. Teve gente que foi na Rocinha só pra assistir o evento... Então... tudo isso é um cenário que você tem que saber como sair e entrar.

Qual a sensação (recompensa) de voltar para redação com a notícia?


Posso falar? Sensacional. Eu, de verdade, me sinto muito feliz. É assim, eu fico buscando a versão de todos. Mas o repórter sabe quando conseguiu algo forte. é aí que entra a tua experiência de conseguir com fontes. De procurar uma gravação que a própria população gravou. A denúncia tem que estar, no caso da televisão, gravada. As vezes sabemos do que acontece, mas tudo tem que ser provado. E tem que estar na boca de alguém. Quando você consegue algo, naquele prazo, onde todo mundo vê o perigo que você correu. Você trouxe a noitíca e ainda está vivo pra poder contar e ver que deu audiência... Aí de verdade isso é demais. Não seremos hipócritas, todos queromos ganhar muito bem pelo que fazemos. Mas maior recompensa é quando somos reconhecidos e quando o governo e/ou a polícia enfim você consegue que os órgãos superiores são atingidos com a sua investigação, sua matéria. E, de verdade, quando aquela população receber melhorias após as suas denuncias. Acho que esse é o sonho de qualquer jornalista.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Fim da linha para o jornal impresso?

Segundo o diretor de redação do Jornal da Cidade, João Jabbour, a tendência é a reinvenção do veículo.
Por: Fabiane Carrijo

Com quase 45 anos de história e uma tiragem de 23 mil exemplares semanais, o Jornal da Cidade, em Bauru, aposta na reciclagem de idéias e projetos de reorganização dentro das edições para melhor atender o mercado mais exigente.

Confira a trajetória do jornal impresso no Brasil:

Com a inegável popularização dos serviços de internet e de dispositivos móveis com acesso à rede, o destino do impresso passou por um período de incertezas e reflexões. Entretanto, com o número de assinantes praticamente estáve,l as mudanças desse mercado se fazem necessárias, porém de forma bem mais tranqüila do que os profissionais do ramo acreditavam-diz Jabbour.

Quando se questiona o fim do jornalismo impresso é comum que se pressuponha certa rivalidade entre o veículo e a internet. Porém, de uma forma mais madura, a idéia que se tem hoje, dentro das edições dos jornais, é a de que a impressão se tornará algo inviável com o passar dos tempos, mesmo que atualmente estes sejam tipos de jornalismo com perfis e finalidades bem diferentes.

O jornalismo encontrado nas redes foi adotado com muita facilidade devido ao dinamismo das informações, que são rapidamente atualizadas, e também ao baixo custo perante todo o conteúdo oferecido. Quanto a isso seria impossível que ambos fossem comparados, mas, quando questionado sobre as vantagens que o impresso teria a oferecer o diretor do jornal foi bem objetivo: “Além de sua indiscutível credibilidade o jornal apresenta o fato de forma cronológica: com começo, meio e fim. E é assim que as pessoas conseguem assimilar os fatos e se sentirem mais informadas. Também devido à menor freqüência de notícias, o jornal pode oferecer ao leitor uma visão mais crítica do fato, algo que também o diferencia bastante do modo digital”. O Jornal da Cidade já possui uma editoria própria para a atualização de seu website e como em qualquer redação utiliza a internet para captação de noticias que serão selecionadas e averiguadas pelas equipes de reportagem. As agências de notícias contratadas também enviam seu conteúdo on-line.

Confirmando a posição de João Jabbour quanto à diferença de públicos e interesses entre um veículo e outro, Vera Lúcia, dona de duas bancas de jornal na cidade de Bauru há dez anos, afirma que a maior parte de seu público pertence à faixa etária mais avançada, mas que, mesmo os mais jovens ainda procuram as bancas, principalmente aos fins de semana, em busca de informações mais concretas sobre empregos e a sessão de classificados oferecida pelo jornal. Coleções promocionais oferecidas pelas editoras de revista e jornal também são grandes geradores de clientes fixos, afirma a proprietária.


Como em qualquer empreendimento no mundo dos negócios não se há garantias de sucesso ou fórmulas prontas, mas o que se pode concluir e afirmar é que não existe a necessidade de uma escolha: o público vai encaixando suas preferências de forma gradativa.Assim como fez com a televisão e o rádio, os próprios veículos vão direcionar-se ao público que obtiver melhores resultados. Criatividade e personalidade se tornam a chave de qualquer tipo de comunicação e esta, todos sabem, que é impossível se viver sem.

Confira a versão virtual do JC.

Rádio e Internet: uma mistura que deu certo

Por: Isabela Ribeiro




Enganou-se quem pensa que rádio é coisa do passado e que não há mais lugar para ele na era da internet. Segundo Lidiane Oliveira, jornalista da rádio 94FM de Bauru-SP, a internet é uma grande aliada na difusão do rádio. “Quando surgiu a televisão muito se falou que o rádio ia cair, sumir; e o mesmo aconteceu com a internet, falou-se que os outros veículos iriam desaparecer. Na verdade, os veículos precisaram se ajustar e se adaptar à internet. Isso fortaleceu o rádio. Boa parte das participações que a gente tem aqui, o contato que a gente tem com o ouvinte, é pela internet.”

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Interação com os ouvintes

No passado, a visita dos ouvintes à rádio e as ligações telefônicas eram muito intensas. Com o advento da rádio on-line esse fluxo diminuiu, e apesar do contato pelo telefone ainda ser o mais frequente, a participação pela web aumentou muito. “Se antes a rádio era ouvida só em Bauru e região, agora ela é ouvida no mundo todo” – através dos sites, dos blogs, dos e-mails e das redes sociais, qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta pode fazer contato e ter acesso às informações transmitidas pelas rádios em tempo real. Além do conteúdo vocalizado, os sites ainda oferecem matérias escritas, fotos, vídeos, a programação e a possibilidade de ouvir algumas transmissões antigas. “Não são os ouvintes da rádio que procuram a internet, são os internautas que descobrem o site da rádio e se tornam ouvintes.”



Lado negativo

As desvantagens da associação entre esses dois veículos, segundo Lidiane, são internas, e é a dependência que o rádio, e não só ele como todos os veículos de comunicação, passaram a ter da web - “é meio que impensável fazer jornalismo hoje sem internet”. Qualquer problema na rede pode afetar o trabalho da rádio, principalmente no que diz respeito à troca de arquivos, à apuração das notícias e ao contato com o ouvinte – “Todos os departamentos dentro da rádio usam a internet intensamente”, afirmou ela. Há também uma acomodação por parte dos jornalistas que não se preocupam tanto em cobrir os fatos pessoalmente, apenas pegam a notícia pela internet e fazem uma adaptação para a linguagem radiofônica.

Lado positivo

Se existe algo capaz de derrubar o rádio com certeza não é a internet. Por não requerer do ouvinte uma atenção exclusiva, o rádio é muito ouvido, seja em casa, no trabalho ou na rua. A internet potencializou a difusão do rádio, aumentou sua interatividade com o público e acelerou a transmissão da informação – “Quem eu acho que vai desaparecer? É quem ignorar a internet. Os radialistas têm que aprender a trabalhar com a internet. Para os jornalistas mais antigos é difícil, mas eles estão sendo obrigados a fazer isso, se não eles vão ficar pra trás. Se não tiverem um bom site vão ficar pra trás, o jornalista e o veículo”.

Grandes fatos, grandes fotos

Por: Jorge Antonio Salgado Salhani

Jornalismo trata de fatos. E não há nada melhor que decorrê-los de maneira clara para que as pessoas tenham uma perfeita imagem sobre o assunto. Descrições minuciosas são de total importância, mas, a partir delas, cada pessoa monta pra si uma imagem própria. Um advento capaz de revolucionar o jornalismo foi a fotografia.

Confira também: Dez fotos marcantes da história

A fotografia apareceu de forma tímida, mas causou grandes mudanças na sociedade. O interesse do público pela mídia fotográfica foi tão alto que até hoje, fundamentalmente com os avanços que a fotografia já passou, é possível ver a relação de proximidade que as pessoas têm com ela, já que pode transmitir diversas perspectivas, como a emoção, a surpresa, a admiração e o ódio, fazendo com que uma reportagem de apenas linguagem verbal se transforme em algo mais dinâmico.



A fotografia acima, tirada durante a Guerra do Vietnã, sempre marca preseça nas listas das fotografias mais importantes já tiradas. Ela, sem demais explanações, mostra o sofrimento no rosto da jovem correndo, tentando se safar das atrocidades dos americanos. É um belo exemplo do que o fotojornalismo é: prático, conciso e arrebatador.
Ser um fotógrafo de imprensa tem seus riscos, exigindo determinação e certo atrevimento. O lado emotivo também pode ser posto em jogo, já que o fotógrafo tem que ter, comumente, o sangue frio de registrar momentos um tanto quanto sensíveis. É exemplo disto o fotojornalista Kevin Carter, que, em uma visita ao Sudão, registrou uma das fotos mais marcantes do jornalismo. Uma garota subnutrida sendo fitada por um abutre, que está à espera de conseguir seu alimento. A foto foi premiada com o Prêmio Pulitzer Recurso Fotográfico.




Pedro Jorge Souza diz que “a fotografia jornalística mostra, revela, expõe, denuncia, opina. [...] e ajuda a credibilizar a informação textual”. Isto é, a fotografia nos apresenta fatos que geralmente só com os textos somos incapazes de interpretar da maneira correta. Ela fornece uma visão mais específica, que auxilia na formação de ideias próprias. A partir disto, podemos comprovar o batido ditado popular de que “fotos, às vezes, valem mais que palavras”.

Foto de Rich Lam, tirada durante um tumulto na cidade de Vancouver.
Fonte: G1

Cobertura colaborativa

Por: Marina Machuca
Foto: Plug 2011

Informar o bem sem olhar a quem. Trocadilho sem graça, mas que define muito bem o objetivo das chamadas Coberturas Colaborativas. Formadas por pessoas de diferentes áreas do conhecimento, são organizações que visam àcolaboração e a transmissão de conteúdos desenvolvidos pelos usuários da internet. Basicamente, eles seunem para cobrir um mesmo evento coletivamente e assim informar os fatos através de diversas perspectivas. Além do próprio site ou blog do grupo, as produções são compartilhadas através de redes sociais como o Facebook e o Twitter.


Com mesa e equipamentos improvisados, a E-Colab se reúne para cobrir eventos culturais independentes que acontecem na cidade.

LEIA MAIS SOBRE COBERTURAS COLABORATIVAS:


Em Bauru, a E-Colab é um exemplo desse tipo de organização. Lançado no ar oficialmente em 2010, o blog conta com uma equipe formada principalmente por estudantes universitáriosque cheia de gás e energia, cobre diversos eventos de arte independente na cidade.Jayme Rosica, estudante do segundo ano de jornalismo da UNESP e colaborador do grupo, conta que os eventos escolhidos para cobertura normalmente são sugeridos pelos colaboradores do grupo online. Em seguida, são formadas as equipes que os cobrirão. Geralmente são eventos que abrangem cultura em geral, como peças de teatro, shows e festivais. O principal objetivo é estimular a produção independente de arte autoral.Renan Simão e Laís Semis, gestores da E-Colab, também nos contaram que a organização surgiu vinculadaa um projeto chamado Enxame Coletivo, que tinha como meta formar uma equipe definitiva de Cobertura Colaborativa em Bauru. A partir disso, o grupo de colaboradores cresceu e se desvinculou, formando um organismo próprio.
As Coberturas Colaborativas ainda são pouco conhecidas no Brasil, mas estão sendo disseminadas em festivais de cultura independente, produzida por grupos que buscam ganhar experiência, enriquecer o currículo e experimentar uma nova forma coletiva de fazer uma cobertura jornalística.

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