quinta-feira, 15 de maio de 2014

Uma Terça ao Natural - #TerçaSemMake

Reprodução/Blog Girls With Style @ http://gwsmag.com/


Blog lança campanha para estimular a valorização da beleza inata


Quantas vezes você já ouviu uma mulher comentar da maquiagem de outra? E quantas vezes se surpreendeu ao ver o quão diferente era uma garota despida de batom, rímel, base e afins? Há tempos que a relação feminina com os produtos “embelezadores” muitas vezes extrapola os limites da obsessão, a ponto de ter quem procure ficar idêntica a uma artista famosa para ser considerada bela – por ela mesma e pelos demais. Com a mídia cosmética impondo padrões estéticos, torna-se cada vez mais difícil encontrar um rosto sem química, seja numa garotinha de cinco anos ou em uma senhora sexagenária, e, mesmo nestes tempos, onde diferenças individuais marcantes cada vez mais ganham dimensões poéticas, a doutrina machista de que a mulher deve andar sempre com a pele perfeita ainda segue firme e forte.



Em meio a essa ditadura da beleza removível com água, o blog Girls With Style lançou, em janeiro deste ano, a campanha “Terça sem Make”, que incentiva garotas a não usar maquiagem durante as terças-feiras, para “encarar o mundo de cara limpa” e relembrar que existe beleza atrás das camadas depositadas pelos pincéis. Em entrevista à nossa equipe, as criadoras do blog contaram que estavam à procura de algo que pudesse ajudar com a autoestima das garotas, quando então se depararam com a cantora Demi Lovato postando uma foto sua sem maquiagem nas redes sociais: “(...) pensamos em fazer disso uma coisa maior, chamar mais meninas pra fazerem o mesmo.”




"Meninas, sejam corajosas hoje.. tirem suas maquiagens e parem de usar esses filtros!! NÓS somos bonitas!!!"  - Reprodução/Twitter @ http://twitter.com/ddlovato

Quando questionadas sobre o feedback da campanha, afirmam que, apesar do começo tímido, o resultado foi surpreendente, com um número de adeptas acima do esperado. “Algumas garotas contam casos de superação, é bem legal mesmo”, dizem. Segundo elas, a “Terça sem Make” pode também servir de pontapé inicial para quem quer se desprender da maquiagem: “tire um dia da semana para descansar a pele, se olhar no espelho e enxergar suas características únicas com amor”.

 Além do cunho ético-feminista, a iniciativa do Girls With Style é extremamente atual também em termos estéticos: uma recente pesquisa realizada na universidade Bangor mostrou que, ao contrário da crença popular, mulheres menos maquiadas são mais atraentes.  Assim, ao lançar tal apelo na esfera online o blog ajuda a dar um passo significativo na luta das brasileiras contra a horrenda ditadura da beleza mascarada.

A equipe do JorNoturnas apoia a campanha e manda beijos – sem batom, é claro.


Maria Beatriz, Isabela, Ana Carolina e Bruna


Nilo





terça-feira, 13 de maio de 2014

PRECONCEITO RACIAL NO SÉCULO XXI

Em 13 de maio de 1888 a princesa imperial Dona Isabel assinou a Lei Áurea que deu a liberdade aos negros do país. Muitos pensaram que a liberdade do trabalho escravo viria em conjunto com a liberdade social. Através do decreto da monarca brasileira tinha-se em mente que todos iriam ter direitos igualitários e assim conseguiriam viver dignamente. Porém, esse pensamento só ficou no plano das ideias, pois os negros foram excluídos do trabalho e começou uma intensificação de imigrações da Europa para o Brasil, uma vez que os “senhores” não aceitaram pagar a mesma mão-de-obra que possuía gratuitamente.
            Passaram-se anos, os negros ficaram às margens da sociedade, sem terem terras para plantar e algum lugar para vender o seu trabalho, e continuaram sendo menosprezados pela sociedade em geral. As provas estão nas piadas que se fazem a respeito dessa etnia, na forma como ela é tratada e nos cargos que a maior parte dela ocupa tanto no setor público quanto no privado.
            Com um olhar mais atento sobre esse fato a equipe jornalística observou que em pleno século 21, apesar das informações legítimas sobre a igualdade das raças que deveriam esclarecer as mentes humanas, a ignorância vigora e o preconceito continua, e perduram os vários os casos de pessoas que não conseguem emprego por causa da sua cor de pele. Para buscar algumas respostas e com o intuito de refleti-lo dentro da sociedade brasileira a equipe entrevistou a professora doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista, Caroline K. Luvizotto:


- Quais foram as principais conquistas dos negros na sociedade brasileira?
No meu ponto de vista, a gente não pensa apenas em conquistas porque a gente tem ainda na sociedade brasileira como todo uma desigualdade muito grande e é uma desigualdade que não passa apenas pelo problema de etnia, de cor da pele, sendo uma desigualdade relacionada a classes sociais. Então nós não pensamos apenas em conquista, pensamos assim no que que nós conseguimos diminuir dessa desigualdade na sociedade brasileira nos últimos tempos, e a gente percebe que uma das grandes conquistas e das grandes vitórias nesse sentido é ver que o negro tem muito mais consciência de qual é seu papel na sociedade (que é um papel importante e que não pode ser pensado num sentido de desigualdade e de discriminação) e ele vem lutando para que esse espaço se amplie e se iguale ao de qualquer outro cidadão de qualquer etnia, de qualquer classe social. Portanto eu acho que a principal conquista foi essa consciência que os negros atingiram do seu espaço e das lutas que eles podem travar, lutas essas que eles estão envolvidos para diminuir essa desigualdade e essa tensão que existe ainda na sociedade brasileira.

- Por que ainda é comum o preconceito racial no século XXI? O que, na sua opinião como socióloga, leva as pessoas ainda agirem de forma racista?
Acredito que a gente ainda tem um grande racismo e um grande preconceito porque a nossa sociedade é muito desigual, e historicamente essa desigualdade vem se mantendo por políticos excludentes que não buscam uma igualdade entre os cidadãos, mas que adotam grandes práticas sociais que são cada vez mais separatistas e por isso o preconceito persiste. Em todas as instâncias sociais a gente tem uma desigualdade, pois, ainda no imaginário do povo brasileiro existe uma ideologia negativa, que remete aos tempos da escravidão em que os negros foram subordinados às vontades dos brancos, então acredito que esse imaginário ainda faz parte de grandes conceitos dentro da nossa sociedade.



- As conquistas dos negros, no Brasil, alteraram de alguma forma sua relação com os brancos?
Eu não sei se podemos pensar em alterações, mas acredito que os conflitos ainda são muito grandes, acho que a gente tem em algumas instâncias sociais uma relação que a desigualdade e o preconceito diminuíram um pouco. Entretanto, acredito que se pensarmos na sociedade como um todo ela não é uma relação harmônica e está longe de ser um relação pacífica, que em alguns aspectos isso se apresenta de forma mais positiva, então você percebe que não há diferenças entre classes nem entre etnias, você percebe que não há uma segregação racial, mas depende dos grupos e das instancias sócias dos quais estamos falando, pois de modo geral a sociedade brasileira ainda passa por bastante conflito em relação a isso, como por exemplo se pegarmos o mundo do trabalho, que é extremamente preconceituoso, e é nesse meio em que as relações vão se intensificar e elas chegam ao campo do preconceito, no campo de uma xenofobia, por exemplo, então, é um mundo em que observa-se que as tensões ainda são muito fortes, e em outras instancias isso não é tão sentido, mas, acredito que as relações talvez não tenham se alterado tanto assim, muitas coisas são mascaradas, e não se sabe até que ponto temos essas alterações.


Após corte de bolsas Movimento Estudantil organiza paralisação na Unesp Bauru

13 de maio de 2014, por Caroline Mazzer em Bauru.

“É  um dia para os alunos irem à universidade com intuito de refletir sobre o que é ensino público de qualidade” diz integrante do movimento estudantil"

Lara Pires 

Parte dos alunos e dos funcionários da Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Bauru, participaram de uma paralisação das atividades nesta última segunda-feira. A decisão de suspender as atividades do dia foi deliberada em assembleias realizadas pelo movimento estudantil.

                                     (Cartazes evidenciaram a insatisfação dos alunos.)
                                                                 Créditos: Lara Pires

A paralisação ocorreu em protesto ao corte de bolsas de projetos de extensão, que são importantes na formação profissional dos estudantes e para comunidade, já que alguns destes  são de cunho social.

Outra reivindicação por parte dos sindicatos de funcionários técnicos-administrativos é a equiparação salarial, pauta do Fórum das Seis, organização de funcionários docentes e não docentes da Unesp, Usp e Unicamp.

        (Nas assembleias foram discutidas as maiores motivações que levaram à paralisação.)
                                                           Créditos: Caroline Mazzer

De acordo com o estudante de Jornalismo, Thales  Diniz “ A paralisação do dia 12 é um ato político de protesto contra o sucateamento do ensino e o distanciamento da universidade da comunidade  externa, que perdeu projetos que beneficiavam o dia a dia, devido ao corte de verba para a realização de atividades como deslocamentos, compra de equipamentos e apresentação do projeto em eventos universitários”.

                                     (Aluna se manifestando durante o dia de paralisação)
                                                                 Créditos: Lara Pires

O dia seguiu com discussões e assembleias realizadas pelo Movimento Estudantil para a definição dos próximas ações de protesto, que podem acarretar em uma possível greve.

Matéria produzida pelos alunos de jornalismo do 1º termo: Bárbara Pungi Villela (pauteira); Caroline Mazzer de Souza (editora); Geizimara de Oliveira Polito (produtora); Tito Amado (produtor) e .Lara Pires (repórter).

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