quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Chega ao fim greve na Unesp de Bauru

A maior greve da história da Unesp, com 4 meses de duração, trouxe mais benefícios aos professores do que aos alunos.
Por Caroline Mazzer de Souza


Cartazes evidenciam a insatisfação dos alunos (Foto: Lara Pires)

A greve na Unesp de Bauru teve início no dia 22 de maio, quando foi lançada uma proposta pelo Conselho de Reitorias das Universidades do Estado de São Paulo, (CRUESP) de reajuste salarial de 0%.  O movimento contou com a adesão de professores, funcionários e alunos que reivindicavam aumento salarial, melhorias na infraestrutura do campus e a abertura do Restaurante Universitário.
           
Após esse período houve duas propostas feitas pela Reitoria da Universidade. A primeira ocorreu no dia 4 de agosto, quando foi oferecida a concessão de um abono de 21% sobre o salário do mês de julho e o aumento no valor do vale alimentação, de R$ 600,00 para R$ 850,00.  A segunda proposta ocorreu somente no dia 18 de setembro, para confirmar um abono salarial de 28,6% ainda no mês de setembro, um aumento do vale alimentação e um reajuste salarial dos funcionários de 5,2%.
Contudo, o fim da greve só foi decretado no dia seguinte, 19, depois de uma assembleia unificada com docentes e servidores técnico-administrativos, na qual se decidiu acatar a proposta da reitoria após a última negociação com o Adunesp e Sintunesp.

As aulas retornaram na segunda-feira, dia 22 de setembro, encerrando a greve de maior duração da história da Unesp, quase 120 dias. Esse longo período aponta para um possível processo de privatização das Universidades públicas paulistas, uma vez que, foram veiculadas possíveis propostas para o início da cobrança de mensalidades.

Segundo Juarez  Xavier, professor e coordenador do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Unesp de Bauru, a lógica da privatização iniciou-se nos anos de 1990, e ainda está em curso. “O processo de privatização das Universidades públicas acontece via fundações, que oferecem cursos pagos e remunera o docente com salários melhores. Outro expediente é o estímulo à obtenção de financiamento em agências de fomento [FAPESP, Capes, CNPq], cujos recursos remuneram a pesquisa e o docente. A articulação dessas ações reduz as obrigações do estado com a instituição, e inibe o aprofundamento das políticas públicas, como as cotas raciais e sociais”.

Um dos poucos benefícios conquistados pela greve foi o reajuste salarial de professores e funcionários da universidade. Já as reivindicações feitas pelos alunos não foram atendidas, entre elas, a abertura do restaurante universitário, que continua sem funcionar. Outro aspecto questionado pelos alunos era o corte de bolsas dos projetos de extensão, mas também nada foi resolvido. Ainda segundo o Prof Dr. Juarez Xavier, “houve a restrição das bolsas e ela prevalece no momento. Contudo, como os projetos são pagos com o dinheiro público, a tendência é termos a médio e longo prazo melhores projetos, voltados para a população da periferia das cidades em condições mais vulneráveis”.

Os bolsistas das Bolsas de Apoio Acadêmico e Extensão (BAAE) foram prejudicados com a paralisação, pois terão seus benefícios encerrados em dezembro, desconsiderando-se o período da greve. Outro prejuízo foi o atraso do calendário escolar. Segundo o aluno Klaus Aires, esse atraso acarreta traumas políticos que afastam os alunos do interesse na vida universitária. Para ele, “a defasagem do calendário causa grandes danos, como mais gastos para quem paga aluguel ou transporte fretado, perda no desempenho acadêmico e aprendizado em sala, alunos que se formariam esse ano perdem concursos públicos e trainees que às vezes demoram um ano pra acontecer novamente.” Dessa forma, a greve em geral trouxe somente a concessão do reajuste salarial e a conquista de uma formação sindical sólida prejudicando alunos e até alguns professores.


Grevistas acusam governador de sucatear universidades Foto- Solon Neto-Participi


Insatisfação dos alunos com o corte de bolsas de projetos de extensão (Foto: Lara Pires)



0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...