quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Greve influencia desistência de alunos

Por: Victor Pinheiro

Apesar de conquistas, paralisação contribui para aumento de vagas ociosas
A greve dos professores e funcionários, que suspendeu por mais de cem dias as aulas na UNESP, USP e UNICAMP, afetou a vida acadêmica de alunos dessas instituições. O episódio aconteceu após as reitorias das universidades anunciarem o congelamento dos salários de funcionários e professores.

Após negociações com as reitorias, os grevistas conquistaram aumento de 5,2% no salário, abono de 28% referentes aos dias de paralisação e acréscimo de R$250,00 no valor do vale alimentação.
Apesar disso, a greve afetou a vida acadêmica dos alunos das universidades. Além do atraso na formação e despesas com permanência estudantil, também influenciou na desistência de curso por parte de alguns alunos. Segundo dados do Departamento de Graduação da FAAC – Unesp Bauru, no primeiro ano de jornalismo diurno na Unesp, oito meses após o início das aulas, cinco dos 40 alunos ingressantes abandonaram o curso, quatro deles durante o período de paralisação.

Um dos estudantes que deixaram as aulas de jornalismo é Edward Procópio Júnior. Ele explica que “já não estava empolgado com o curso e a greve facilitou o processo de desistência”. O jovem diz ainda que não houve pressão familiar, apesar de sua mãe ter ficado impaciente e decepcionada com a instituição. Porém, Edward ressalta que a decisão de sair foi toda dele.
No caso de Isabella Cintrão, também de jornalismo, a situação é semelhante. A moradora de Araraquara diz não ter gostado do curso e que não sofreu com pressão familiar. Mas destaca: “Em certo ponto a greve serviu para colocar os pensamentos em ordem e ver se a desistência era mais correto a se fazer.”

Vantagens

Apesar dos reflexos negativos, para a aluna do primeiro ano de jornalismo, Laura Botosso, a greve também impactou positivamente na vida dos alunos. Segundo a graduanda, a paralisação serviu para conscientizar os alunos sobre os rumos que a universidade está tomando, principalmente na questão de precarização do ensino público, além de abrir espaços para debates políticos na instituição.
Laura ainda comenta o resultado da greve: “Apesar da própria greve ter seus prejuízos, principalmente para os alunos, eu acho importante os professores lutarem pela melhoria da universidade pública e mesmo que a conquista tenha sido só salarial, já foi um ganho, fortaleceu o movimento”.

Vagas ociosas

As vagas ociosas, resultado das desistências, podem ser preenchidas por transferências internas ou externas. No caso da Unesp, o edital deve ser publicado no dia 19 de dezembro. Os alunos transferidos iniciam as atividades acadêmicas a partir do começo do próximo semestre letivo do curso escolhido.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...