quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Greve traz prejuízos acadêmicos e financeiros para alunos da UNESP

Quais os pontos positivos e negativos dessa paralisação segundo os estudantes?


Foto: Mobiliza Bauru

No dia 22 de setembro de 2014, a UNESP Bauru viu acabar a greve mais longa em duração de sua história. Após quase quatro meses de paralisação, os docentes aceitaram a proposta feita pelo Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, e conquistaram reajuste salarial de 5,2%, abono salarial de 28,6% (pelo período sem reajustes) e aumento de R$250,00 para o vale alimentação. Embora nem de longe todos os seus problemas tenham sido resolvidos, pode-se afirmar que professores e funcionários saíram, de certa forma, vitoriosos desse embate penoso contra uma CRUESP quase inflexível.

No âmbito estudantil, porém, o sentimento não foi tão unânime - válido ressaltar que a greve estudantil foi encerrada um mês antes do término da greve geral. Muitos alunos acabaram saindo prejudicados até financeiramente, como a caloura de jornalismo noturno Isabella Marão. Devido ao posto de trainee na agência Jornal Jr., ela teve de transitar entre Bauru e São Paulo (sua cidade natal) várias vezes em curtos períodos de tempo; como não houve semestre para a renovação de sua carteirinha do ônibus, teve de pagar mais caro pelas passagens. Contrária à greve, Isabella diz que manifestações na rua seriam uma alternativa mais eficaz: "(...) A greve dura milênios, não chama tanto a atenção da mídia e uma hora se torna insustentável, com propostas menores sendo aceitas".


Foto: Mobiliza Bauru


Felipe Assis, também aluno do primeiro ano de jornalismo noturno, foi a várias assembleias e votou a favor da greve, que afirma ser um método para atrair atenção pública quanto a questões a seres problematizadas, sendo o pontapé inicial para a resolução delas. Reconhece, porém, que houve falhas ao longo do processo: "Às vezes o pessoal se enrola coordenando uma assembleia, às vezes acontece um mal entendido no meio da ação direta. Mas uma coisa que me incomoda um pouco é o impasse que o movimento estudantil tem por não saber se quer ser representativo ou combativo". Apesar disso, aponta que toda luta é válida, mesmo que greves sejam extenuantes.

Mesmo com essa discordância entre os mais de 7000 alunos da unidade bauruense da UNESP, a reformulação dos calendários (ou a falta dela) parece ter sido um ponto comum de desagrado no pós-greve. Além disso, professores substitutos tiveram problemas contratuais para voltar às atividades no fim de setembro, o que deve complicar ainda mais a situação. Resta agora esperar e observar o quanto a universidade mudará, para o bem ou para o mal.

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