sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Possíveis  cortes  no  “Pibid”  geram  manifestações  e  necessidade  de  esclarecimentos.

Após a notícia sobre os  cortes no programa, dúvidas  começaram a surgir  e uma mobilização nacional foi formada contra essa possível redução. 
Por: Luis Henrique Negrelli

A primeira dúvida que surgiu após os boatos acerca da redução no Pibid foi: o que seriam esses  cortes  e  em  que  proporções? Mas,  além  disso, surgiu  também  a  pergunta:  o  que  é  o Pibid e qual a sua importância? Já que, por ter ganhado uma notoriedade maior nas mídias nos últimos  dias,  muitas  pessoas  começaram  a  ouvir  e  a  ler  notícias  sobre  um  programa  que muitos nem sabiam da existência.

De  acordo  com  a  CAPES  (Coordenação  de  Aperfeiçoamento  de  Pessoal  de  Nível Superior),  o Pibid  é  “uma  iniciativa  para  o  aperfeiçoamento  e  valorização  da formação  de professores  para a  educação  básica.  O  programa  concede  bolsas  a  alunos  de  licenciatura participantes de projetos de iniciação à docência, desenvolvidos por Instituições de Educação Superior (IES) em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino.” O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) possui uma forte atuação  nas  unidades  da  UNESP.  Por  esse motivo  entrevistamos  a  Professora  de  Química responsável pelas disciplinas pedagógicas, Sílvia Regina Quijadas Aro Zuliani, que é a atual vice­chefe do Departamento de Educação da UNESP ­ Bauru. Para  a  Professora,  o Pibid  é  “um  programa  que  tem  o  objetivo  de formar melhor  o
licenciando, ou seja, o futuro professor.” Ela explica que “em todas as unidades da UNESP,
existem  960  bolsistas  de  iniciação  à  docência  e  cerca  de  100  bolsistas  de supervisão.  Em
Bauru, existem 120 bolsistas de oito subprojetos. E o valor da bolsa que o aluno recebe é de
400 reais”

Segundo a entrevistada, a primeira notícia que se teve é que haveria um corte de 90%
no Pibid em geral, porém ninguém sabia se era um corte de bolsas ou de recursos. Logo após
a divulgação dessa notícia, a Capes reagiu dizendo que ainda não havia definido nada e que as
bolsas continuariam sendo pagas e os bolsistas credenciados permaneceriam no sistema. Porém, a preocupação dos coordenadores foi que no comunicado da Capes constava que o Pibid iria continuar, mas se comprometeriam a fazer o pagamento apenas dos bolsistas inseridos no programa, sem, no entanto, permitir a inclusão de novos bolsistas em substituição aos que optarem por deixá­lo ou que se formarem. Conforme  a docente relatou,  “isso faria com que o programa acabasse aos poucos.”
Em seguida, o ForPibid (Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Pibid) criou  um  abaixo  assinado  com  os  bolsistas  do  Brasil  inteiro.  Em  menos  de  duas semanas foram  coletadas  26  mil  assinaturas  de  bolsistas  e  quase  20  mil  de  alunos,  professores  e escolas. Ao final foi entregue um ofício dirigido ao Ministério da Educação com cerca de 46 mil  assinaturas  em  papel. Segundo  a  professora Silvia,  “esse movimento  assustou  a Capes, que não esperava essa grande mobilização”.

No dia seis de julho de 2015, aconteceram manifestações na UNESP de Bauru  e no Brasil inteiro, com a presença de bolsistas e instituições atendidas pelo Pibid. De acordo com a  docente,  “depois  que  o  ForPibid  enviou  um  ofício solicitando  esclarecimentos,  a  Capes divulgou que estariam permitidas as substituições de bolsistas do programa. Logo, parece que a pressão feita já gerou algum resultado”

A professora ressalta que um dos grandes diferenciais do Pibid é “que além de focar na formação do professor, ele beneficia também a escola em que o bolsista é inserido, porque o professor que recebe os alunos tem na sala de aula um bolsista que vai trabalhar de maneira diferenciada.”O que está definido é que foram mantidas as bolsas ativas e suprimidas do sistema as cotas ociosas, ou seja, a cota de cada instituição é igual à lançada no mês de junho de 2015 e a partir desse teto poderão ser feitas as substituições necessárias ao andamento do programa. Já as bolsas cadastradas após 01 de julho de 2015 não serão incluídas na folha de pagamento.

Para  a  entrevistada,  a  educação  não se faz  de  um  dia  para  o  outro  e  o  Pibid  é  um programa  que  é  importante  dentro  do  campus, refletindo  na formação futura  do  professor. “Portanto  continuaremos  mobilizados.  O  ForPibid  continuará  trabalhando.  Afinal  se  não formarmos bons professores, não formaremos bons jornalistas, bons médicos, etc.”

A vida de quem inventa de voar

Por: Larissa Cavenaghi




São  estudantes  e  vêm,  de  diversas  partes  do Brasil,  arriscar  a  sorte  em  busca  de futuro seguro  e  emprego  garantido.  Saem  do  ninho  para  aprender  a  voar  e  voltam para  lá  tendo  já percorrido vários céus.

Todos os anos, milhares de estudantes deixam o conforto de seus lares em busca de um estudo de qualidade a fim de garantir e consolidar um futuro até então turvo. Receosos, partem para cidades desconhecidas levando, além das malas, um sentimento de ansiedade, medo e esperança, típico daquele pássaro que vai aprender a voar. Não sabem o que querem, mas acreditam no que buscam


São diversas as universidades que, a cada semestre ou ano, abrem suas portas para esses ingressantes de primeira viagem. Porém, as interioranas são as que mais se destacam por suas famosas receptividades. Dentre elas, se encontra a UNESP (Universidade Estadual Paulista), terceira maior universidade pública do país, com campus distribuídos ao longo de 24 cidades do estado de São Paulo. O maior deles, que se localiza em Bauru, é também o que recebe o mais alto número de estudantes. Atualmente, a FAAC ( Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp), por exemplo, conta com 1625 graduandos, sendo 85,42 % deles de outras cidades e 0,24 %, intercambistas. Com a instalação da Universidade Estadual Paulista em Bauru, no ano de 1987, além da USP (1962) e de particulares como USC ( Universidade Sagrado Coração ­ 1953) e ITE (Instituição Toledo de Ensino – 1951), a economia da cidade passou a movimentar­-se de maneira mais rápida e, atualmente, de acordo com uma matéria publicada pelo Jornal da Cidade (JC), os estudantes injetam cerca de 134 75,42 % 24,34 % 0,24% Distribuição dos alunos na UNESP Vindos de outras cidades Bauru Intercambistas milhões de reais anuais nela.

Após 120 dias de greve, os calouros unespianos puderam finalmente iniciar as aulas e, junto delas, o seu novo processo de adaptação envolvendo esferas, emocionais, sociais, culturais e até mesmo climáticas. Muitos sofreram e ainda sofrem com a distância dos pais, familiares e amigos, além da solidão. “O pior momento foi definitivamente no domingo, antes das aulas começarem. Meus pais foram embora e eu não pensei que fosse sentir tanto. Foi bem triste.”, disse Pedro Maziero (19) ao ser questionado sobre os piores momentos de sua nova vida na cidade. Pedro veio de Tupã e está cursando o primeiro ano de jornalismo na UNESP.


As dificuldades, contudo, não se encontram somente na solidão e na distância dos pais. Viver sozinho também requer um amadurecimento muito grande, o que conduz a um crescimento pessoal vertical. A vida a quilômetros de casa exige responsabilidade e, acima de tudo, consciência. Giovani Ramos Flores (21), que já está no campus da UNESP há três anos, cursando design, conta que mudou
bastante no decorrer desse período. Passou por bons e maus momentos. O mais impactante foi o assalto à república onde morava, no mês de março desse ano. De acordo com ele, momentos como esse permitiram que tivesse “muita responsabilidade. Antes, eu não me preocupava com nada, nem com as louças. Agora, eu tenho que pagar conta, muita conta. Já fui assaltado, fechei uma república e
tive dívidas.“

Somada a essas experiências e adaptação, vem a questão da cultura. A universidade, seja ela qual for, corresponde a um ambiente heterogêneo de integração, que engloba jovens dos mais variados estados, regiões e, até mesmo, países. Não é raro, hoje, ao andar pelas ruas do campus da UNESP, ouvir vozes dialogando em outras línguas. Essas vozes representam um grupo que arriscou um voo longe: os intercambistas. Estes, além de passarem por todas as dificuldades anteriormente citadas, são obrigados a se adaptarem a uma cultura eclética e diametralmente oposta como a brasileira, além do clima e da alimentação. “(...) O clima é muito frio, e eu não me enquadrei. A alimentação é muito diferente. Não sei, aqui as coisas já são prontas. Quando provo, acho meio estranho.”, confessou Miguel Mbona (20), estudante do primeiro ano de arquitetura, que deixou a Angola há cerca de um mês para arriscar­-se em terras brasileiras. Não importa o tempo fora, deixar o querido lar para estudar sempre será uma experiência paradoxal. Solidão, saudade e tristeza estarão sempre atreladas ao aprendizado, novos amigos e felicidade. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, Pedro, Giovani e Miguel confirmaram com a mesma empolgação que sair do ninho valeu a pena

Rio Bauru: Problemas e Desafios

Por Nathália Cunha



O Rio Bauru é um rio do estado de São Paulo que nasce na região sul de Bauru, próximo  ao perímetro  urbano.  Possui  cerca  de  42  km  de  extensão,  tem  mais  de  dez afluentes,  deságua  no rio Tietê  e  é  considerado  um rio morto  de intenso mau  cheiro, uma  vez  que  todo  o  esgoto  in natura  do  município  é  despejado  nele  e  em seus  dez afluentes. São lançados aproximadamente 1000 L/s no Rio Bauru, sendo 85% despejo residencial e 15% despejo industrial.
Existem  vários  casos  de  enchentes,  alagamentos  e  até  mortes  ligadas  ao  Rio Bauru.  A  questão é  tão  problemática  que  os  bombeiros  da  cidade  criaram  um  ''kit enchente'' para a população em dias de chuva.  Atrelada a poluição visual, há também a disseminação  de doenças  como giardíase, leptospirose,  ascaridíase  e  esquistossomose, colocando em risco a saúde dos cidadãos bauruenses.

O  rio  corta  parte  da  área  urbana  e  incomoda  com  o  desagradável  odor.  O processo de eutrofização, que é a diminuição da concentração de oxigênio dissolvido na água, está em estágio avançado e portanto precisa de um projeto de revitalização com urgência. Além disso, a falta da mata ciliar, cuja função é sustentar o solo à margem do rio, agrava o problema do assoreamento do leito.

O operário, Paulo Fonseca, 58, ao ser questionado sobre os problemas advindos da poluição do rio, afirmou que está trabalhando na obra com mais oitenta funcionários há um ano, e que o cheiro incomoda, principalmente nos dias mais quentes: "O cheiro incomoda sim, ninguém merece pagar esgoto e ele ser despejado no rio".  "Essa obra que a gente tá fazendo aqui é pra limpar o esgoto que é jogado tanto aqui  nesse  trecho,  quanto  lá  em  cima,  em  Água  Comprida,  que  depois  de  tratada é jogada de volta no rio", disse o trabalhador.

"A  obra  está  andando  bem,  acredito  que  daqui  2  ou  3  anos  o rio  já  vai  estar
limpo."  Todavia,  o  prazo  de  entrega  do  projeto  era  para  Março  de  2015,  conforme anúncio da Prefeitura Municipal de Bauru no canteiro de obras. Quando  perguntado sobre  as  enchentes,  ele cita  o  problema  com  as  bocas  de lobo, que não suportam a quantidade de água em dias de chuva forte "Muita gente fica ilhada. O rio sobe, e com os bueiros já entupidos, a água não escoa".

O gerente Bruno Wesley de Oliveira, 26, também reclama do cheiro nos dias de calor. Ele conta que já ficou ilhado no posto de gasolina, que é em frente ao rio e fica alagado  em  época  de  chuva. Bruno  também sabia  do  projeto  de revitalização  do rio. Quando perguntado a respeito das medidas que a prefeitura tomou contra o problema, ele  diz  que  não  acredita  na  eficácia  do  projeto.  "Eles (a  prefeitura)  não ligam  para  o meio ambiente, eles se vendem, querem dinheiro".

Os moradores Ruth F., 82, e Sidney Ferreira, 64, contam que a casa já ficou com dez  centímetros  de água  nos  dias  de  enchente.  Quando  perguntados  a  respeito  da importância que a prefeitura dá para o meio ambiente, Sidney reclama sobre os bueiros. "Eu já fui pessoalmente na prefeitura reclamar dos bueiros. Quando o rio enche a rua fica  toda  alagada.  Ninguém  faz  nada.  Daqui  a pouco  chega  Setembro  e  a  situação piora".

Para o mecânico, Rodrigo S., 25, a culpa não é só da prefeitura. " Em volta que é complicado, vai das pessoas. Jogam lixo na rua, vem a enchente e vai tudo pro rio. Não é só culpa da prefeitura. Vai demorar para a população ajudar, tem que ter propaganda para conscientização".

Para  o  engenheiro florestal Cláudio Machado  Filho, formado  na Universidade Federal  de  Viçosa, o  rio  não  é  somente  uma  questão  ambiental:  "Levando  em consideração que a população em geral faz parte do ambiente e que não é apenas um ser separado,  fora  do  contexto,  e  que  pode apenas  usufruir  do  que  a  natureza  tem  para disponibilizar,  então  com  certeza  afeta  a comunidade local de diversas formas. Como exemplo  temos  os  problemas  com  as  enchentes,  que são  agravadas  pela  ocupação incorreta de  áreas de preservação permanente,  as APPs (áreas que ficam nas margens dos rios), impermeabilização do solo, destinação incorreta do lixo". Ele cita também algumas facetas positivas sobre a revitalização do rio, como a melhoria da estética da
cidade, diminuição de doenças e até o aumento do turismo.

Até  a  veiculação  dessa  matéria,  a  Prefeitura  Municipal  de  Bauru  não  se
pronunciou a respeito dos problemas do rio.



domingo, 9 de agosto de 2015

A magia do Sorrir

Lucas Arbex, voluntário do Projeto Sorrir, caracterizado de palhaço e fazendo brincadeiras. (Foto: Lucas Giovani Bachini)



Sorriso Voluntário


Fazendo rir. É assim que o Projeto Sorrir transforma a cidade de Bauru há quatro anos. Com a proposta de proporcionar momentos de descontração em asilos, hospitais, creches e levar conforto àqueles que precisam, os voluntários são peças essenciais para o desenvolvimento do mesmo.

Os integrantes do projeto vão sempre caracterizados e tem como meta fazer sorrir o outro com o qual eles compartilham experiências. E para essa dedicação à missão do projeto, é necessário que se preencha um questionário antes de entrar. Nele, é solicitado as redes sociais do interessado e informações pessoais, seguido de algumas perguntas que dão o esqueleto ao projeto: disponibilidade do candidato, preferência de público e de atuação, aptidões que poderá agregar ao projeto, se conhece ou participou de trabalho voluntário e como conheceu o Sorrir - são alguns exemplos de questões a serem respondidas.

Depois de respondido o questionário, é feita uma reunião que proporciona o panorama de funcionamento da proposta, na qual é explanado como se deve abordar, ou não, um paciente, como cativar e interagir bem com idosos e crianças, o modo de se fazer a visita em locais diferentes – hospitais são sempre mais rígidos e a visita deve ser acompanhada por enfermeiros, caso haja qualquer alteração de saúde nos pacientes.

Um dos palhaços, Lucas Arbex, é voluntário há três meses do Sorrir e se diz orgulhoso de poder participar de um projeto tão gratificante, que envolve fazer com que o outro consiga se distrair, mesmo que seja por um instante, da realidade em que se encontra no momento da visita. Por meio da caracterização, Lucas deixou a timidez e conseguiu se soltar mais frente aos pacientes que atende. “É uma rede que se manifesta em nome do bem”, afirma.

Antes de fazer sua primeira visita, participou da reunião de ingresso e pode perceber que os mais experientes do projeto auxiliam os recém-chegados e que a recepção com os calouros é grande. Relatou sobre uma brincadeira ocorrida no dia, na qual consistia em escrever uma palavra sobre o projeto e colocar dentro de bexigas e enche-las, para que outros colegas estourassem e pudessem ler as diferentes significações para o mesmo propósito. Quando questionado sobre o que é ser voluntário, usou as palavras doação e solidariedade. “É uma mudança silenciosa em nós mesmos. Fazer alguém sorrir é muito importante para você e para o próximo”, afirma Lucas, que sai das visitas mais leve e revigorado.

Leva sempre o instrumento musical para ajudar a interagir, principalmente com os idosos, que segundo ele, sorriem mais quando ouvem o som de músicas de sua juventude. Foi assim com Rosa*, interna da casa de repouso, com jeito de calada e silenciosa até que ouviu Lucas tocando Clara Nunes. Ela se aproximou, se abriu com ele e agradeceu pela música que ouviu, e Lucas se deu conta que aquele ato, simples, havia marcado e mudado o dia dela. Relata esse ser um dia marcante dentro do projeto para a sua memória de voluntário.

A parceria do Projeto Sorrir com redes de saúde é grande, em contrato fechado há um ano com o Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru, as visitas ocorrem aos últimos sábados de cada mês. E a cada nova entrada de membros para a visitação é realizada uma reunião sobre as normas da instituição, como não tocar diretamente no paciente, bater sempre na porta e certificar que o paciente e acompanhante aceitam a visita. O hospital, que hoje conta com a maioria dos internos idosos, ficou sabendo do Sorrir por intermédio de uma enfermeira que havia prestado serviço para o projeto. A instituição viu a necessidade de mobilizar os pacientes ao proporcionar um dia diferente, que rompe com a rotina rígida de um hospital. E parece que alcançou o objetivo.

Os enfermeiros que acompanham a visita percebem a melhora, principalmente no estado de espírito dos pacientes. “Eles [os voluntários] passam força de vontade para os pacientes, e vindo de alguém de fora, se fortalecem mais” comenta Mirella, secretária da gerente de enfermagem do Hospital Beneficência.
A agitação pelos corredores do hospital é grande. Em datas comemorativas os voluntários vão caracterizados, deixam lembranças, como os panetones de natal, com os técnicos e preparam cartões com mensagens para os internos. Mas nos últimos sábados do mês a descontração já faz parte da rotina do hospital. “Ambos os lados se renovam [com as visitas]. Idosos gostam de contar suas histórias e poder serem ouvidos” é o que comenta Lucimara, assistente de Recursos Humanos do Hospital.

Todos, direta ou indiretamente se envolvem com as visitas e a quebra de rotina no hospital. “Os técnicos adoram o pessoal do Projeto, mais que os pacientes”, brinca Mirella sobre o forte envolvimento que ambas as partes desenvolvem dentro do ambiente hospitalar, levando alegria e sorrisos aos que ali se encontram. Mas nem tudo é sempre leve e descontraído. Alguns internos e acompanhantes, ao serem perguntados sobre a interação com o Projeto, não permitem a visita dos voluntários no quarto. Nesses casos, as equipes, de quatro a cinco pessoas divididas pelos corredores do hospital, respeitam e entendem a decisão e mobilizam os quartos que ainda não foram visitados. E o sorriso largo volta a acalentar as alvas paredes do hospital.

“Há um crescimento pessoal daqueles que participam, que disponibilizam seus sábados para estarem conosco”, elogia Lucimara. E o Projeto Sorrir cresce. No ano de 2014 foram realizadas duas reuniões de captação de pessoal, enquanto até o mês de julho desse ano três encontros aconteceram com previsão para mais um até o final do ano. E a meta é construir uma rede do bem.

O projeto conta com mídia sociais, como Facebook e Twitter, que são regularmente atualizados com fotos, novas propostas e visitas, deixando assim o público informado sobre o que acontece, e um site www.projetosorrirbauru.com.br. Os interessados em se juntar ao projeto devem entrar em contato pelo email contato@projetosorrirbauru.com.br e começar a construir uma nova cadeia de sorrisos.


Por: Adriana Carrer e Gabriela de Carvalho.

Fontes:
Lucas Arbex, participante do projeto sorrir;
Lucimara, Assistente de RH do Hospital Beneficência Portuguesa;
Mirella, Secretária da Gerente de Enfermagem do Hospital Beneficência Portuguesa.


Trabalho realizado pelas alunas: Thuany Gibertini (Pauteira), Gabryella Ferrari (Produtora), Gabriela de Carvalho (Repórter), Adriana Carrer (Repórter) e Bianca Furlani (Editora).


A Discussão multifacetada das moradias estudantis

Por: Danilo Lysei em Bauru.
Fotos: Danilo Lysei


“A  organização  entre  nós,  faculdade  e  alunos,  é  um  fluxo  de  mão  dupla. Estamos  tentando  ter  tanto  a  nossa  própria  independência,  quanto  o  apoio  da Universidade.” diz universitário que vive na moradia estudantil. Moradia Estudantil é um assunto que carrega poucos esclarecimento no espectro  das  universidades  públicas  brasileiras.  Em  questão,  a  Universidade  Estadual  Paulista
(UNESP)  enfrenta  um  contingente  de  problemáticas  no  que se referem  à  divulgação, solicitações e abrangência destas moradias.  Em  especial,  na  Universidade  “Júlio  de  Mesquita Filho”  de Bauru,  a moradia possui  um  diálogo  multifacetado,  onde  os  representantes expuseram seus  discursos frente ao assunto. Procurando conciliar e conectar as opiniões de ambos os lados dessa temática, verificou-se a posição atual de órgãos que circundam este diálogo.

Nos  anos  de  2009  e  2010,  foram  trabalhadas  questões  no  que  tange  o fornecimento  de  bolsas  de  auxílio fornecidas  pela Universidade  para  os  alunos. Entre 2006  e  2012,  houve  uma  crescente  em  relação  aos  movimentos  pró  permanecia estudantil, que são subsídios ofertados pela faculdade que visa a permanecia de alunos carentes.  Sendo  eles  o  restaurante  universitário,  que  reduz  o  valor  das  refeições ofertadas  a  esse  público,  e  as  moradias  estudantis  gratuitas.Em  2012  iniciou­-se  a construção das habitações e do RU, que já completam aproximadamente um ano e meio.

Visando  promover  respostas  aos  graduandos  que  na  Universidade  estudam somados  a  um  panorama  da situação  atual,  procurou-­se  trabalhar  a  temática  ouvindo ambos os lados, tanto aqueles que residem na Moradia Estudantil da UNESP de Bauru, quanto  ao  GAC  (Grupo  Administrativo  do  Campus),  responsável  por  discutir diretamente com os residentes qualquer questão burocrática.Em  entrevista,  o  aluno Lucas Gaviolla  do quarto  ano de Educação Física,  que
reside  há  um  ano  e  meio  na  habitação,  recebeu  a  equipe  de  repórteres  e  respondeu
algumas perguntas esclarecendo o tema.

A partir do ponto de vista histórico, Lucas  apontou que o projeto inicial  era  a construção de dois blocos de moradia, cada um contendo um total de 32 vagas, visando agregar 64 alunos do maior campus da UNESP. “Alunos  precisaram  acampar  no  GAC,  para  pedir  a  moradia.”,  disse  Lucas. “Quando  ela  surgiu  foi  entregue  em  condições  precárias.  Foi  construído  um  único bloco.  Não havia  computador,  internet,  luz  e  etc.  Apenas  as  camas  e  as  paredes. Esperaram  a  seleção para  depois  construir  a  instalação  elétrica.  Hoje  a  faculdade fornece na moradia: armário, duas camas e colchões estão chegando agora. Geladeira, armários,  mesa,  cadeira,  fogão,  filtro,  micro ondas,  máquina  de  lavar  roupa.  Dois banheiros  comunitários  e  dois  chuveiros.  Uma impressora,  uma  TV,  dois computadores. Cobre as despesas de água e internet.”finalizou o estudante. Ele explicou também como funciona a organização dentro da habitação e quais as funções competentes ao GAC e à Comissão Externa. “Hoje temos um Conselho da Moradia, uma organização documentada para realizar as coisas aqui dentro.”, afirmou em nota. “O GAC é responsável pela estrutura, e a Comissão externa, formada por uma assistente social,  dois  professores,  três  vice-diretores  e  um  aluno  não  morador, são quem analisam nossas reivindicações. O convívio com eles e o contato são muito bons.

A moradia foi construída numa época de greve e eles ofereceram o que precisava. Sua construção foi bem tardia, e ainda num número bem limitado. Há campus que possuem mais espaço, como o de Ilha Solteira. Lamento quem não pode ter essa oportunidade. A gente corre atrás para que agreguem mais. A organização entre nós e a Universidade é um  fluxo  de  mão  dupla.  Estamos  tentando  ter  tanto a nossa  própria  independência, quanto o apoio da Universidade.” aponta ele.  Para  ele  o  convívio  é diferente  de  uma  república,  onde  as  maiorias  dos universitários  acabam morando.“Aqui temos foco  no  estudo  e  nos  organizamos  como uma família. Nos trabalhos, a gente se ajuda.”. Hoje permanece  um  único  bloco  construído  no terreno  em  que  a  moradia se localiza,  enquanto  a área  destinada  para  a  construção  do  segundo  prédio  continua intacta. Em busca do GAC visando encontrar respostas para determinadas questões, foi possível estabelecer contato com Cláudio Demartino, diretor técnico administrativo da Administração Geral, que em resposta, afirmou a premissa inicial do projeto que tinha em seu escopo a construção de dois blocos, porém apenas um foi entregue. “O  GAC  da  época,  quando  fez  o  processo  seletivo,  não  obteve  candidatos
suficientes  inscritos  para  a  moradia.  Surgiram  outras  demandas  no  campus  e cancelaram  a construção  desse segundo  prédio  da moradia  e reutilizaram sua  verba para a manutenção de outros setores do campus.”

Nesta  linha,  Cláudio  disse  que  “Quando  se  solicita  algo  pra  reitoria,  eles necessitam que o projeto já esteja pronto no momento da realização do pedido. Ai no caso, a reitoria liberou a verba pra construção de um bloco. Na hora que estivessem terminando  de  fazer  o  primeiro,  começariam  a  construção  do segundo.  Mas reitoria deu uma segurada por questões financeiras e políticas. O GAC não se envolve com o capital. Tudo quem decide é a Reitoria.”.  Ele ainda afirma que a Administração Geral do campus é a receptora das verbas vindas do Estado destinadas à efetivação de projetos no campus. Assim, cada unidade deve possuir um direcionamento exato da verba quando solicita algo pra AG. No caso em relato,  eram dois prédios da habitação  estudantil. Em seguida  a reitoria  analisa  as solicitações  por  prioridade,  e  na  época  haviam  pedidos  de  verba  com  destino  para  a biblioteca, central de salas, moradia estudantil e RU, exatamente nessa ordem.
O  funcionário  do  GAC  explicita  que  reivindicações  por  parte  dos  alunos são necessárias para que as solicitações dos mesmos sejam atendidas e analisadas com mais vigor. Porém, como os orçamentos deste e do próximo ano já estão comprometidos; há esperanças  de  que  as  construções  de  novos  complexos  habitacionais  na  área  dos alojamentos estudantis aconteçam apenas em 2017.

Questões como segurança e localização precária também foram abordadas nesta reportagem.  Para  os estudantes  que  se  encontram  na  moradia  a  distância  entre  o complexo  e a faculdade, que totalizam 2 km, facilita para a ocorrência de acidentes  e também assaltos. O acesso para o campus se dá através da rodovia SP 225 da cidade de Bauru, que até 2013 não possuía uma passarela de pedestre. O baixo policiamento da área e a falta de funcionários para realizar plantões na guarita do local acabam também por afastar futuros estudantes que cogitam a hipótese de morar no complexo. Para Lucas, a passarela ajudou a protegê­-los contra acidentes, mas  nada  mais  que  isto,  já  que  até  hoje  a  prefeitura  de  Bauru  não  providenciou  a instalação de postes para Segundo  o  GAC,  a  CENTROVIAS  juntamente  com  a  ARTESP  (Agência Reguladora De Serviços Públicos De Transportes Do Estado De São Paulo) foram os responsáveis  pela  transposição  da  passarela  e  em  contra  partida,  a  prefeitura  teria  a tarefa de fazer a instalação dos postes assim como da fiação elétrica. Ao  ser  procurada  a  Secretaria  de  Obras  da  Prefeitura  Municipal  de  Bauru informou  que  o  projeto  já  foi  aprovado  e  que  para  a  ocorrência  de sua  efetivação  é necessário que haja o crivo do Engenheiro Elétrico do setor, que se encontra de férias no momento.

A  previsão  dada  pela  Secretaria  é  de  que  até  meados  de  agosto  a  ARTESP receba  os  papéis do  projeto  já  assinados  pelo Engenheiro responsável,  tendo  assim  o início das instalações com um prazo de efetivação previsto para o fim do ano. Esses  e  outros  fatores  acabam  tornando  um tabu  o  assunto  dentro  da  própria Universidade, devido à falta de divulgação e informação adequada. Em  sua  finalização,  o  GAC  assume  uma  posição  otimista  mas  também reflexiva. Cláudio  acredita  que  a  Moradia  Estudantil  da  UNESP  de  Bauru  deveria possuir  uma melhor divulgação  no  escopo  da  universidade,  para  que  assim  haja  um olhar mais  otimista  por  parte dos  alunos  para  com  o  complexo  habitacional.“Há  uma grande quantidade de alunos que acham que lá é ruim, sem qualidade.”;disse a respeito sobre haver um certa discriminação para com os alunos que estão na moradia.



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Grupo:

Helena Ortega (Pauteira)
Vinícius Gálico (Produtor)
Aldrei Stabile (Repórter)
Danilo Lysei (Repórter)
Pedro Notarangeli (Editor)



A cidade universitária na perspectiva dos bauruenses

Mesmo  com  algumas  dificuldades,  moradores  e  comerciantes aprovam a grande quantidade de estudantes que movimentam a cidade.

Fotos: Mariana Mesquista



Segundo  dados  do  Instituto  Nacional  de Estudos  e  Pesquisas  (Inep), Bauru já é a 10º maior cidade do estado de São Paulo em número de estudantes universitários. Esse dado é justificado pela grande abundância de universidades presentes na região: o número já ultrapassa de 10, entre particulares e públicas.
A  Universidade  Estadual  Paulista  (UNESP)  tem  uma  grande  contribuição,  já que o maior campus da faculdade é localizado na cidade de Bauru. São 1.045 vagas novas todos os anos no vestibular de verão (final de ano) e mais 40 vagas no vestibular que acontece no inverno (meio do ano).

Este  expressivo  número  de  universitários  vivendo  em  uma  cidade  traz diversas consequências para a mesma, sendo a maioria delas positivas. Entre os comerciantes  da  cidade,  por  exemplo,  é unanimidade  que  os  estudantes  são extremamente  importantes  para  a  movimentação  da economia  bauruense.  De acordo com Nelson Tobaro, dono do minimercado Tobaro que é localizado na Vila Universitária, bairro com grande concentração de estudantes, o mês com o
menor faturamento  é  o  período  de férias  letivas. Já  um  dos  donos  da famosa lanchonete Flipper, Adelar Kohlrausch, oferece promoções voltadas para esses alunos: de segunda a quinta, o estudante que levar seu registro acadêmico (RA) e  comprar  um lanche,  ganha  um suco  de  graça. Ele também  concorda  que  as vendas caem consideravelmente durante o recesso. Adelar procura manter uma ótima relação  com  os  estudantes:  o  Flipper  é  conhecido  por  vender  ingressos das festas unespianas e ser o ponto de encontro para chegada e saída dos ônibus que levam os estudantes para esses eventos.

Do ponto de vista dos moradores, os universitários são muito bem-vindos.
A  única  problemática  são  as  festas  que  às  vezes  excedem  o  horário  ideal  e atrapalham o sono da vizinhança. Mas de acordo com Renata Mantovanni, vizinha da república Las Chicas e de outra república do curso de engenharia, o diálogo  é sempre  a melhor solução. Quando os vizinhos têm algum problema com o barulho, eles conversam com os moradores da casa para resolver de forma amigável. Mas nem sempre é o que acontece.  De  acordo  com  a  polícia militar  de  Bauru,  frequentemente  há ocorrências solicitando viaturas para tentar controlar a desordem" das festas.

Entre benefícios e desvantagens, os estudantes não trazem consigo apenas uma  aprovação  na faculdade  e  a realização  de sonhos,  eles também  ajudam  a transformar Bauru, sendo de grande importância para população e fazendo parte do  cotidiano  bauruense.  Muitos  acabam  ficando  permanentemente  na  cidade depois de formados, o que contribui diretamente para o aumento da mão de obra local qualificada, trazendo vantagens maiores que os anos de graduação podem prever.



Implicações da realocação de uma DDM

Por: Bianca Moreira


O  deslocamento  da  Delegacia  de  Defesa  da  Mulher  na  cidade  de Bauru é fruto do projeto do governo do estado de São Paulo, que tem
como objetivo a aglutinação de delegacias. A ideia do Departamento de  Polícia  Judiciária  de  São  Paulo  Interior  é  que,  juntas,  elas funcionem  de  maneira  multidisciplinar,  com menor  custo  e  maior qualidade de atendimento à população. Tal proposta já foi aplicada em
Piracicaba  e  Presidente  Prudente,  sem  a obtenção  do  resultado esperado.
A transferência de unidades policiais para a superdelegacia da Polícia Civil  iniciou­se  no  dia  8  de  abril  de  2013.  A  Central  de  Polícia
Judiciária (CPJ) de Bauru abriga, hoje, os 4 distritos policiais,  sendo eles: as delegacias de Defesa de Mulher (DDM), Investigações Gerais
(DIG),  Infância  e  Juventude  (DIJU)  e  Investigações  SobreEntorpecentes (DISE).

Na  visão  da  mestranda  em Psicologia  da Faculdade  de  Ciências  da UNESP  Bauru,  Ana  Carla  Vieira, é  importante  que  a  Delegacia  de Defesa da Mulher tenha um local físico próprio e independente, para que a abordagem das vítimas seja mais apropriada. “Acredito que seja essencial um espaço específico no qual as mulheres possam relatar as  violências  sofridas.  Muitas  vezes,  o  julgamento  ou  a  falta  de credibilidade são tanto ou mais geradores de sofrimento que a própria agressão”, disse.

A instituição

A delegada titular, Priscila Bianchini, da DDM de Bauru, acredita que a aglutinação  das  delegacias em  uma  central  não  obteve  nenhum aspecto  negativo  no  tratamento  das  vítimas  femininas,  já que possuem mulheres no plantão de atendimento e escrivãs. De acordo com ela: “É importante que todas as unidades da Polícia Civil estejam no  mesmo  espaço,  porque  auxilia  a  investigação.  A comunicação entre os setores é facilitada quando se encontram em conjunto”. Apesar  da  opinião  da delegada,  há  uma  enorme  burocracia  para  a mulher  vitimada  realizar  a  denúncia. Quando  uma vítima  chega  na Central  de  Polícia  Judiciária  de  Bauru,  deve  pegar  uma  senha  e aguardar atendimento em um grande salão, onde várias pessoas, por motivos distintos, também esperam auxílio. Um local inapropriado para uma  pessoa  que  acabou  de  passar  por  uma  agressão,  de caráter sexual ou não, o que pode desestimular a vítima a realizar a denúncia. O primeiro procedimento é a triagem no atendimento, que não é feito necessariamente  por  uma  mulher, seguido  do registro  do  boletim  de ocorrência.  A  continuação  do  processo  investigativo  depende da vontade da própria mulher; o crime fica registrado e a vítima tem até 6 meses  para dizer  se deseja ou  não  processar  o  autor  do  crime. Somente  no  caso  de  lesão  corporal  a vítima  não  tem escolha  em continuar ou não com o processo.

Em 2012, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que no caso de a agressão ser comprovada por um  laudo  do  IML  (Instituto  Médico  Legal),  o  processo  deve  ser obrigatoriamente iniciado. “O estupro é um crime que geralmente só há o autor e a vítima, não há testemunhas, é necessário a obtenção de provas. Os indícios que precisamos  são  verificados  por  uma  prova  pericial.  A  coleta dos resquícios  de  sêmen  e  a  própria  análise  da  vulva  da  mulher,  para saber  se  há  hematomas ou  qualquer  outra  coisa,  é  primordial.  A avaliação  psicológica  ajuda  a  comprovar  se  a  mulher foi  realmente vítima.  O  laudo  de  avaliação  psicológica  é  muito  importante,  ajuda tanto a polícia quanto o poder judiciário. Essa avaliação é realizada no próprio CREAS. A investigação geralmente é sigilosa, o nome não sai daqui,  muitas  vezes  a  mídia  divulga  o  fato. A  imagem  e  o  nome  da
vítima  jamais  são  divulgados,  porque  a  polícia  não  passa  esses dados, a não ser que a própria vítima queira falar com a imprensa. O próprio  boletim  de  ocorrência  leva  um  carimbo  com  a  frase:  ‘não divulgar’, para preservar a mulher que realizou a denúncia”, explicou Priscila.

A vítima ­ uma situação na prática

“A  delegacia  daqui  não  dá  muito  apoio  as  vítimas.  No  meu  caso  foi zero.  Não  prestaram nenhum  tipo  de  atendimento,  só  represálias. Como eu havia bebido naquela noite, o que eu ouvi deles foi: "Se você bebeu, quem garante que você não concordou?"”, relata A.P.*, vítima que sofreu abuso sexual na cidade de Bauru, em agosto de 2014, e preferiu não se identificar.

Violentada  após  sair  de  uma  festa,  a  vítima demorou  uma  semana para  procurar  a  polícia. Ao  chegar  à  delegacia,  desestimulada a realizar a denúncia, foi primeiramente atendida por um policial que duvidou do fato dela ter sido estuprada. Ele disse que, como não poderia ter certeza do que ela estava falando, não poderia
fazer  muita  coisa.  Diante  da  dúvida  do policial,  o  acompanhante  da vítima questionou a necessidade de se realizar um exame físico ara
comprovar  se  o  crime  havia  de  fato  ocorrido. O  exame  não  foi realizado,  sob  a  justificativa  de  que  ele  não  teria  mais  efeito,  já  que havia se passado uma semana.

Nesse critério, é importante ressaltar que o Supremo Tribunal Federal já  decidiu  no  sentido  de  que: "(...)  o  fato  de  os  laudos  de  conjunção carnal e de espermatozoide serem negativos não invalidam a prova do estupro, dado que indica que a cópula vagínica foi completa ou não, e se  houve ejaculação.  Não  basta  que  haja  ejaculação  ou  que  se deixem vestígios físicos para haver provas da conjunção carnal, pois ela não é capaz de demonstrar a resistência da vítima ao ser praticado o  ato sexual.  Trata­se  acima  da  prova  da  violência  real,  ou  seja, daquela em que houve o emprego efetivo da força física, produzindo mordidas, tentativa de esganadura, unhadas, como forma de conter a resistência da vítima."

Ao  ser  informada,  na  própria  delegacia,  de  que,  se  realizasse  o boletim de ocorrência, não haveria como não tornar o caso público, ela não o registou, já que não queria que a família e amigos soubessem do  ocorrido.  “Eu  não  poderia  correr  esse  risco.  Minha  mãe  tem  um pensamento extremamente machista e iria me culpar pelo acontecido”, lamenta a mulher vitimada. *A.P.: Iniciais fictícias

Estatísticas

Houve uma diminuição dos casos de violência contra a mulher entre o primeiro trimestre dos anos de 2014 e 2015 na cidade de Bauru. Isso abre campo para duas interpretações: a diminuição pode ser fruto do trabalho mais efetivo da polícia na aplicação da Lei Maria da Penha; ou pode ser fruto da diminuição de denúncias por parte das vítimas. Confira os dados divulgados pela Secretaria de Segurança de Bauru:

Primeiro trimestre de 2014:
Tentativa de homicídio: 93
Lesão corporal dolosa: 14.467
Calúnia: 3.438
Estupro consumado: 133
Primeiro trimestre de 2015:
Tentativa de homicídio: 74
Lesão corporal dolosa: 13.468
Calúnia: 3.323
Estupro consumado: 125

Coletivo Abre Alas

Uma  alternativa  às  mulheres  que  se  sentem  prejudicadas  por agressões  machistas  cotidianas  é  o  Coletivo  criado  por  estudantes unespianas. A página do Facebook (https://goo.gl/5UxOsZ) mostra um pouco sobre o "Abre Alas", criado ano passado. É possível contatar a organização  no  grupo  (https://goo.gl/akMlGE),  seja  para  fazer  uma denúncia  ou  bater  um  papo.  As  reuniões  do  coletivo  ocorrem  no bosque  da  UNESP  todas  quintas,  às  17:30.  A  integrante  Thamires
Motta fala um pouco sobre a violência à mulher e dá sua opinião sobre a realocação da DDM de Bauru:

(Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=tl0tsFwBWS4)

Cinco meses após morte de aluno, universidade ainda discute como enfrentar a cultura do álcool

Por: Raíssa Pansieri



No dia 6 de julho foi divulgado o resultado da Comissão Processante Especial (CPE), aberta pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), referente à morte do estudante de Engenharia  Elétrica  da Faculdade  de  Engenharia  de  Bauru  (FEB),  Humberto  Moura Fonseca,  de  23  anos. Tivemos acesso  junto  ao  diretor  Prof.  Dr.  Nilson  Ghiardello, representante da FAAC (Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação), do relatório da Comissão de Apuração Preliminar (CAP), em que destaca-­se o seguinte trecho: “No âmbito  interno  da  apuração  do  caso,  foi  verificado  que  o evento  ocorreu  fora  das dependências  da Unesp. E,  de fato,  devido  à  gravidade  das conseqüências  envolvidas com o abuso do álcool, acatou­se a decisão da comissão, na qual sugere em seu relatório final que os senhores alunos identificados no processo fossem advertidos verbalmente, conforme previsto no regimento geral da universidade”.

A fatalidade envolvendo o estudante ocorreu no dia 28 de fevereiro de 2015, em uma festa denominada  InterReps,  organizada  por  estudantes da  Unesp  de  Bauru  e  com  a venda  de ingressos  dentro  do Campus Universitário.  O  jovem morreu  após  consumir cerca de 30 doses de vodca em uma disputa que premiava o competidor que suportasse ingerir o maior número de doses. No mesmo evento outros três alunos foram internados em coma alcoólico.

Amplamente divulgado pelos noticiários, esse episódio pôs em discussão não somente o teor de culpa dos envolvidos e da universidade, e sim um debate importante acerca da cultura do álcool entre jovens, que é tão facilmente verificada no meio universitário. Na  apuração sobre o  acontecimento,  desde os últimos  cinco meses, foram ouvidos os presentes  no InterReps,  alunos  da  universidade  e  palestrantes  do Grupo  de Discussão (GD)  sobre  a  cultura  do  álcool,  entre  eles,  membros  do  Centro  Acadêmico  de Comunicação  Florestan  Fernandes (CACOFF),  psicólogos  da  Faculdade  de  Ciências (FC)  e, os diretores da Faculdade de Arquitetura, Artes  e Comunicação (FAAC)  e da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB).

Pesquisa de Opinião e Discussão sobre o Assunto

Em enquete realizada entre os dias 17 e 20 de julho, com estudantes das três faculdades da Unesp ­ Câmpus de Bauru, foi constatada uma porcentagem significativa de alunos que  nunca  ouviram  falar e/ou  participaram  de  palestras  de  conscientização  sobre  a cultura do álcool entre universitários, como revela o  infográfico no final dessa matéria. A  situação  é  ainda  mais  preocupante,  já  que  os dados  mostram  que  dos  90  alunos entrevistados, 69 afirmaram consumir bebida alcoólica, e desses, a grande maioria disse ter aumentado o consumo durante o período de faculdade.

A fim de desenvolver uma cultura de proteção ao indivíduo, ao invés da repressão do consumo  do  álcool,  o GD  do  evento CACOFFONIA,  propiciou  um  debate  na  última sexta feira, 17 de julho. A iniciativa, que partiu dos próprios estudantes, obteve como pontos  fortes  o  questionamento  das  atitudes  punitivas  por  parte  da  universidade,  ao invés de atrelá­las  a medidas educativas e, se os jovens conhecem e estão cientes dos limites do seu próprio corpo. Foi proposto também, por parte dos veteranos presentes, a responsabilidade dos próprios alunos na desconstrução de algumas tradições que, ainda que  inconscientemente,  utilizem­se  de  sua  hierarquia,  para  pressionar calouros  a beberem ou a participarem de competições.

No encerramento do debate, os estudantes foram questionados em como a universidade poderia auxiliar na resolução desse problema, uma vez que há uma certa dificuldade por parte  dos universitários  em  aceitar  recados  institucionais,  vistos  como  opressores  ou moralistas. Em resposta, estudantes propuseram maneiras da universidade discutir essa cultura do álcool, com a permanência do grupo como fórum permanente e, ressaltaram como a instituição pode tornar­-se cada vez mais um ambiente construído por todas as partes (professores, diretores  e funcionários) se souber atender  aos  anseios  estudantis. Notou­se  porém  que,  embora  aberto  aos  alunos,  o  espaço  de discussão  contou  com  a participação  de  apenas  25  estudantes,  em  uma  Universidade  que conta com  mais  de 7000 alunos.

Opinião de especialista

“Eu acredito que o universitário tenha essa consciência quanto ao exagero no consumo de  bebida alcoólica  e, saiba  os malefícios  que  ela  lhe  causa. Mas,  acaba  deixando­se envolver  pelo momento  ou  até  por  pressão  social”,  declarou  Karina  Ferraz  Tozze, psicóloga e professora da Faculdade de Ciências, ao ser questionada sobre a cultura do álcool. A  especialista  afirmou  ainda que  “Não podemos ignorar os  efeitos biológicos, tanto na hora do próprio consumo, quanto a longo prazo”. Entre  os  efeitos  do consumo  abusivo  de  álcool,  algumas  conseqüências  imediatas podem ser  destacadas,  como  o  aumento  do  número  de  acidentes  automobilísticos,  a propensão ao  uso  de  novas  drogas  e  até  mesmo  uma  maior  incidência  de  relações sexuais  sem  o  uso  de preservativos,  oferecendo  sérios  riscos  de  contaminação  e gravidez não planejada.

O  álcool  está  relacionado  a  uma  cultura  de  celebração  e  de  festas,  portanto,  a especialista ressalta  que  “Não  adianta  haver  a  coibição,  se,  atrelado  a  ela,  não  vier programas  de conscientização.  É  importante  a  universidade  ensinar  aos  seus  alunos como  conhecer  e  refletir sobre  o  seu  consumo,  de  uma  forma  em  que  o  corpo,  o emprego,  a  faculdade  e  a  relação com  a  família  não  sejam  prejudicados”.  Essas medidas, portanto, se fazem necessárias a fim de que, a longo prazo, a vida do aluno não  seja cerceada e prejudicada pelo fator do alcoolismo.

Diretor da FAAC, Prof. Dr. Nilson Ghiardello, mostra sua posição

Na manhã da última segunda feira, dia 20 de julho, o diretor da FAAC posicionou-se quanto a punição aplicada aos estudantes envolvidos na organização do InterReps. “Nós aqui da FAAC tivemos uma estudante envolvida no incidente, os demais eram da FEB, o  que  não  diminui  nossa responsabilidade,  se  é  que  há  alguma  responsabilidade”, declarou  Ghiardello,  antes  de  iniciar  a menção  aos  tópicos  do  relatório  da Comissão de Apuração Preliminar. No relatório em questão, faz-­se menção a proibição de  consumo  e  divulgação  de  eventos  associados  à  bebidas  alcoólicas dentro  da universidade,  ressaltado  pelo  diretor  que  “A  UNESP  implementa  forte  política  para
proibir o consumo de bebidas alcoólicas. Agora, como administrador da faculdade, nós não temos qualquer ascensão sobre vocês, que são maiores de idade, quando saem daqui e  vão  para  uma  festa. O  que  a  gente  pode  fazer  dentro  do  campus,  é  coibir  trotes violentos  ou  humilhantes  e, fazemos  algum  controle  de  cartazes  de  festas  dentro  do campus,  permitindo  a  exposição  e venda  de  ingressos  apenas  quando  não  houver referência a bebidas alcoólicas”.

O diretor Nilson  apontou  ainda  a importância  dos Centros Acadêmicos  como  agentes fundamentais  na  discussão  e  mobilização  para  tratarem  de  assuntos  que,  se  não  de iniciativa estudantil, não teriam o mesmo potencial de visibilidade. “O CACOFFONIA, de sexta feira [17 de julho] era parte disso. De discutir a cultura do álcool, é o que está ao nosso alcance. O que podemos fazer é propiciar esse espaço para discussão. Se vocês [estudantes] não  começarem  a discutir  a questão, quem vai  começar? A Universidade pode  proporcionar  as  condições,  dar  meios,  se precisar  de  sala  de  aula  ou  trazer palestrantes de fora. Mas, se a discussão não partir de alguém pelos quais vocês sintam-se  representados,  e  vocês  não  nos  ajudarem,  torna-­se  um  evento  desinteressante  aos alunos”.

Visão do Prof. Dr. Edson Antônio Capello Souza, diretor da FEB. 

O diretor da FEB, Edson Antônio Capello Souza, concedeu entrevista na manhã desta terça­ feira, 21 de julho, acatando, assim como o diretor Nilson Ghiardello, o relatório da CAP,  alegando  que  “No âmbito  da  universidade,  não  temos  como  responsabilizar ninguém aqui dentro da faculdade, porque temos normas, em que é proibido o consumo de bebidas alcoólicas. Tanto que acatamos o que a comissão decidiu e, entendemos que não temos  qualquer responsabilidade. O  que temos  é realmente  uma responsabilidade acadêmica de mudar essa cultura, isso a gente tem feito e devemos incentivar através de campanhas”.  Como  exemplo,  o  diretor  mencionou  que  houve  no  dia  6  de julho,  um Workshop sobre o uso abusivo de álcool, que contou com a participação da FEB, FAAC
e  FC.  Porém,  complementou  que  “Nas  campanhas,  nós  não  obrigamos  os  alunos  a participarem,  mas,  eu  percebo  que  os  alunos  não se  atentaram  ainda  à  gravidade  do consumo do álcool”. O diretor ressaltou ainda a aplicação de punição a quem infringir as regras “A fiscalização quanto a venda é realizada pelos servidores da vigilância e as regras são  bem  claras,  é  proibido.  Se  houver  o  desacato  a  qualquer  norma  interna,  é prevista submissão a advertência verbal, escrita, suspensão ou expulsão”.

Segundo  o  diretor,  imediatamente  na  semana  seguinte  ao  falecimento  do  estudante Humberto Moura Fonseca, foi feita uma reunião com os alunos do curso de Engenharia Elétrica da FEB, aberta aos demais alunos interessados, onde representantes do Centro de  Psicologia  Aplicada (CPA) participaram  e  dispuseram-se  a  agendar  com  todos  os alunos envolvidos um apoio psicológico, caso necessário.

Quanto ao melhor caminho para os estudantes comunicarem-­se com a diretoria da FEB, foi apontado o Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia (DAFAE), que possui respaldo em suas atividades, principalmente se acopladas a eventos que incluam lazer sem o enfoque no álcool, como é o caso dos esportes.

SESC terá Jornada Nerd durante o mês de julho

 Evento contará com exibição de filmes e atividades culturais até o dia 30

Por: Karina Juliana, Lívia Reginato, Daniele Fernantes, Juliana Gonzalez e Marina Debrino





Ao longo de todo o mês de julho, acontecerá no SESC de Bauru a Jornada Nerd, um evento que
conta com várias atividades culturais voltadas para esse público. Dentre elas, a exposição e
disponibilização de brinquedos antigos, oficina de produção de efeitos especiais, o Nerd Cine ,
que exibirá filmes clássicos desse gênero, e a Virada Nerd, que acontecerá nos dias 18 e 19 e
contará com atividades durante todo o final de semana.

Essa é a segunda edição do evento, que conta com uma programação maior que a do ano
anterior e com uma temática voltada para a década de 1980. Segundo o curador do evento e
animador cultural do SESC, Gustavo Nogueira, o que motivou a realização da  Jornada foi desconstruir os preconceitos que existem em torno dessa cultura, de modo que pessoas de diferentes idades se identifiquem com características consideradas nerds. “A brincadeira de fazer com os anos 80, que muitas vezes é tido como um período  nerd, é para mostrar que todo mundo conhece alguma coisa que é considerada nerd”, afirmou Gustavo.

A escolha de homenagear a década de 1980 foi influenciada também pelo fato de que o filme “De Volta Para o Futuro”, um dos clássicos dessa cultura, se passa em 1985 e tem como destino da viagem no tempo o ano de 2015, mostrando como o  presente atual era imaginado naquela época.

Há ainda uma influência literária, do livro “Jogador Número 1”, que tem uma grande importância para cultura nerd , escrito por Ernest Cline, no qual os personagens devem  desvendar um jogo virtual criado por um bilionário aficionado pela cultura pop dos anos 80 como seu testamento.

Um dos principais atrativos da Jornada é o Nerd Cine, que tem exibido os filmes clássicos da
década de 1980. A entrada é gratuita e atrai públicos de diferentes gerações. “ Eu já tinha assistido ao filme quando era pequena, inclusive aqui no SESC, e agora eu vim trazer os meus filhos para assistir. Eu tento procurar filmes dessa época para eles assistirem e verem a diferença”, disse Angélica Campos Halabu que foi ao SESC para  assistir ao filme “Gremlins”, de 1984, exibido nesta terça‐feira, dia 14.

O Nerd Cine ainda vai exibir “Curtindo a Vida Adoidada”, na quinta‐feira (16/07), “Os Aventureiros do Bairro Proibido, na terça‐feira (21/07), “Blade‐Runner – O Caçador de Androides” (28/07) e “Top Secret” (30/07), sempre às 19h30. A programação completa da Jornada Nerd pode ser consultada no site: www.sescsp.org.br .

Fotos




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