domingo, 9 de agosto de 2015

A Discussão multifacetada das moradias estudantis

Por: Danilo Lysei em Bauru.
Fotos: Danilo Lysei


“A  organização  entre  nós,  faculdade  e  alunos,  é  um  fluxo  de  mão  dupla. Estamos  tentando  ter  tanto  a  nossa  própria  independência,  quanto  o  apoio  da Universidade.” diz universitário que vive na moradia estudantil. Moradia Estudantil é um assunto que carrega poucos esclarecimento no espectro  das  universidades  públicas  brasileiras.  Em  questão,  a  Universidade  Estadual  Paulista
(UNESP)  enfrenta  um  contingente  de  problemáticas  no  que se referem  à  divulgação, solicitações e abrangência destas moradias.  Em  especial,  na  Universidade  “Júlio  de  Mesquita Filho”  de Bauru,  a moradia possui  um  diálogo  multifacetado,  onde  os  representantes expuseram seus  discursos frente ao assunto. Procurando conciliar e conectar as opiniões de ambos os lados dessa temática, verificou-se a posição atual de órgãos que circundam este diálogo.

Nos  anos  de  2009  e  2010,  foram  trabalhadas  questões  no  que  tange  o fornecimento  de  bolsas  de  auxílio fornecidas  pela Universidade  para  os  alunos. Entre 2006  e  2012,  houve  uma  crescente  em  relação  aos  movimentos  pró  permanecia estudantil, que são subsídios ofertados pela faculdade que visa a permanecia de alunos carentes.  Sendo  eles  o  restaurante  universitário,  que  reduz  o  valor  das  refeições ofertadas  a  esse  público,  e  as  moradias  estudantis  gratuitas.Em  2012  iniciou­-se  a construção das habitações e do RU, que já completam aproximadamente um ano e meio.

Visando  promover  respostas  aos  graduandos  que  na  Universidade  estudam somados  a  um  panorama  da situação  atual,  procurou-­se  trabalhar  a  temática  ouvindo ambos os lados, tanto aqueles que residem na Moradia Estudantil da UNESP de Bauru, quanto  ao  GAC  (Grupo  Administrativo  do  Campus),  responsável  por  discutir diretamente com os residentes qualquer questão burocrática.Em  entrevista,  o  aluno Lucas Gaviolla  do quarto  ano de Educação Física,  que
reside  há  um  ano  e  meio  na  habitação,  recebeu  a  equipe  de  repórteres  e  respondeu
algumas perguntas esclarecendo o tema.

A partir do ponto de vista histórico, Lucas  apontou que o projeto inicial  era  a construção de dois blocos de moradia, cada um contendo um total de 32 vagas, visando agregar 64 alunos do maior campus da UNESP. “Alunos  precisaram  acampar  no  GAC,  para  pedir  a  moradia.”,  disse  Lucas. “Quando  ela  surgiu  foi  entregue  em  condições  precárias.  Foi  construído  um  único bloco.  Não havia  computador,  internet,  luz  e  etc.  Apenas  as  camas  e  as  paredes. Esperaram  a  seleção para  depois  construir  a  instalação  elétrica.  Hoje  a  faculdade fornece na moradia: armário, duas camas e colchões estão chegando agora. Geladeira, armários,  mesa,  cadeira,  fogão,  filtro,  micro ondas,  máquina  de  lavar  roupa.  Dois banheiros  comunitários  e  dois  chuveiros.  Uma impressora,  uma  TV,  dois computadores. Cobre as despesas de água e internet.”finalizou o estudante. Ele explicou também como funciona a organização dentro da habitação e quais as funções competentes ao GAC e à Comissão Externa. “Hoje temos um Conselho da Moradia, uma organização documentada para realizar as coisas aqui dentro.”, afirmou em nota. “O GAC é responsável pela estrutura, e a Comissão externa, formada por uma assistente social,  dois  professores,  três  vice-diretores  e  um  aluno  não  morador, são quem analisam nossas reivindicações. O convívio com eles e o contato são muito bons.

A moradia foi construída numa época de greve e eles ofereceram o que precisava. Sua construção foi bem tardia, e ainda num número bem limitado. Há campus que possuem mais espaço, como o de Ilha Solteira. Lamento quem não pode ter essa oportunidade. A gente corre atrás para que agreguem mais. A organização entre nós e a Universidade é um  fluxo  de  mão  dupla.  Estamos  tentando  ter  tanto a nossa  própria  independência, quanto o apoio da Universidade.” aponta ele.  Para  ele  o  convívio  é diferente  de  uma  república,  onde  as  maiorias  dos universitários  acabam morando.“Aqui temos foco  no  estudo  e  nos  organizamos  como uma família. Nos trabalhos, a gente se ajuda.”. Hoje permanece  um  único  bloco  construído  no terreno  em  que  a  moradia se localiza,  enquanto  a área  destinada  para  a  construção  do  segundo  prédio  continua intacta. Em busca do GAC visando encontrar respostas para determinadas questões, foi possível estabelecer contato com Cláudio Demartino, diretor técnico administrativo da Administração Geral, que em resposta, afirmou a premissa inicial do projeto que tinha em seu escopo a construção de dois blocos, porém apenas um foi entregue. “O  GAC  da  época,  quando  fez  o  processo  seletivo,  não  obteve  candidatos
suficientes  inscritos  para  a  moradia.  Surgiram  outras  demandas  no  campus  e cancelaram  a construção  desse segundo  prédio  da moradia  e reutilizaram sua  verba para a manutenção de outros setores do campus.”

Nesta  linha,  Cláudio  disse  que  “Quando  se  solicita  algo  pra  reitoria,  eles necessitam que o projeto já esteja pronto no momento da realização do pedido. Ai no caso, a reitoria liberou a verba pra construção de um bloco. Na hora que estivessem terminando  de  fazer  o  primeiro,  começariam  a  construção  do segundo.  Mas reitoria deu uma segurada por questões financeiras e políticas. O GAC não se envolve com o capital. Tudo quem decide é a Reitoria.”.  Ele ainda afirma que a Administração Geral do campus é a receptora das verbas vindas do Estado destinadas à efetivação de projetos no campus. Assim, cada unidade deve possuir um direcionamento exato da verba quando solicita algo pra AG. No caso em relato,  eram dois prédios da habitação  estudantil. Em seguida  a reitoria  analisa  as solicitações  por  prioridade,  e  na  época  haviam  pedidos  de  verba  com  destino  para  a biblioteca, central de salas, moradia estudantil e RU, exatamente nessa ordem.
O  funcionário  do  GAC  explicita  que  reivindicações  por  parte  dos  alunos são necessárias para que as solicitações dos mesmos sejam atendidas e analisadas com mais vigor. Porém, como os orçamentos deste e do próximo ano já estão comprometidos; há esperanças  de  que  as  construções  de  novos  complexos  habitacionais  na  área  dos alojamentos estudantis aconteçam apenas em 2017.

Questões como segurança e localização precária também foram abordadas nesta reportagem.  Para  os estudantes  que  se  encontram  na  moradia  a  distância  entre  o complexo  e a faculdade, que totalizam 2 km, facilita para a ocorrência de acidentes  e também assaltos. O acesso para o campus se dá através da rodovia SP 225 da cidade de Bauru, que até 2013 não possuía uma passarela de pedestre. O baixo policiamento da área e a falta de funcionários para realizar plantões na guarita do local acabam também por afastar futuros estudantes que cogitam a hipótese de morar no complexo. Para Lucas, a passarela ajudou a protegê­-los contra acidentes, mas  nada  mais  que  isto,  já  que  até  hoje  a  prefeitura  de  Bauru  não  providenciou  a instalação de postes para Segundo  o  GAC,  a  CENTROVIAS  juntamente  com  a  ARTESP  (Agência Reguladora De Serviços Públicos De Transportes Do Estado De São Paulo) foram os responsáveis  pela  transposição  da  passarela  e  em  contra  partida,  a  prefeitura  teria  a tarefa de fazer a instalação dos postes assim como da fiação elétrica. Ao  ser  procurada  a  Secretaria  de  Obras  da  Prefeitura  Municipal  de  Bauru informou  que  o  projeto  já  foi  aprovado  e  que  para  a  ocorrência  de sua  efetivação  é necessário que haja o crivo do Engenheiro Elétrico do setor, que se encontra de férias no momento.

A  previsão  dada  pela  Secretaria  é  de  que  até  meados  de  agosto  a  ARTESP receba  os  papéis do  projeto  já  assinados  pelo Engenheiro responsável,  tendo  assim  o início das instalações com um prazo de efetivação previsto para o fim do ano. Esses  e  outros  fatores  acabam  tornando  um tabu  o  assunto  dentro  da  própria Universidade, devido à falta de divulgação e informação adequada. Em  sua  finalização,  o  GAC  assume  uma  posição  otimista  mas  também reflexiva. Cláudio  acredita  que  a  Moradia  Estudantil  da  UNESP  de  Bauru  deveria possuir  uma melhor divulgação  no  escopo  da  universidade,  para  que  assim  haja  um olhar mais  otimista  por  parte dos  alunos  para  com  o  complexo  habitacional.“Há  uma grande quantidade de alunos que acham que lá é ruim, sem qualidade.”;disse a respeito sobre haver um certa discriminação para com os alunos que estão na moradia.



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