domingo, 9 de agosto de 2015

A magia do Sorrir

Lucas Arbex, voluntário do Projeto Sorrir, caracterizado de palhaço e fazendo brincadeiras. (Foto: Lucas Giovani Bachini)



Sorriso Voluntário


Fazendo rir. É assim que o Projeto Sorrir transforma a cidade de Bauru há quatro anos. Com a proposta de proporcionar momentos de descontração em asilos, hospitais, creches e levar conforto àqueles que precisam, os voluntários são peças essenciais para o desenvolvimento do mesmo.

Os integrantes do projeto vão sempre caracterizados e tem como meta fazer sorrir o outro com o qual eles compartilham experiências. E para essa dedicação à missão do projeto, é necessário que se preencha um questionário antes de entrar. Nele, é solicitado as redes sociais do interessado e informações pessoais, seguido de algumas perguntas que dão o esqueleto ao projeto: disponibilidade do candidato, preferência de público e de atuação, aptidões que poderá agregar ao projeto, se conhece ou participou de trabalho voluntário e como conheceu o Sorrir - são alguns exemplos de questões a serem respondidas.

Depois de respondido o questionário, é feita uma reunião que proporciona o panorama de funcionamento da proposta, na qual é explanado como se deve abordar, ou não, um paciente, como cativar e interagir bem com idosos e crianças, o modo de se fazer a visita em locais diferentes – hospitais são sempre mais rígidos e a visita deve ser acompanhada por enfermeiros, caso haja qualquer alteração de saúde nos pacientes.

Um dos palhaços, Lucas Arbex, é voluntário há três meses do Sorrir e se diz orgulhoso de poder participar de um projeto tão gratificante, que envolve fazer com que o outro consiga se distrair, mesmo que seja por um instante, da realidade em que se encontra no momento da visita. Por meio da caracterização, Lucas deixou a timidez e conseguiu se soltar mais frente aos pacientes que atende. “É uma rede que se manifesta em nome do bem”, afirma.

Antes de fazer sua primeira visita, participou da reunião de ingresso e pode perceber que os mais experientes do projeto auxiliam os recém-chegados e que a recepção com os calouros é grande. Relatou sobre uma brincadeira ocorrida no dia, na qual consistia em escrever uma palavra sobre o projeto e colocar dentro de bexigas e enche-las, para que outros colegas estourassem e pudessem ler as diferentes significações para o mesmo propósito. Quando questionado sobre o que é ser voluntário, usou as palavras doação e solidariedade. “É uma mudança silenciosa em nós mesmos. Fazer alguém sorrir é muito importante para você e para o próximo”, afirma Lucas, que sai das visitas mais leve e revigorado.

Leva sempre o instrumento musical para ajudar a interagir, principalmente com os idosos, que segundo ele, sorriem mais quando ouvem o som de músicas de sua juventude. Foi assim com Rosa*, interna da casa de repouso, com jeito de calada e silenciosa até que ouviu Lucas tocando Clara Nunes. Ela se aproximou, se abriu com ele e agradeceu pela música que ouviu, e Lucas se deu conta que aquele ato, simples, havia marcado e mudado o dia dela. Relata esse ser um dia marcante dentro do projeto para a sua memória de voluntário.

A parceria do Projeto Sorrir com redes de saúde é grande, em contrato fechado há um ano com o Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru, as visitas ocorrem aos últimos sábados de cada mês. E a cada nova entrada de membros para a visitação é realizada uma reunião sobre as normas da instituição, como não tocar diretamente no paciente, bater sempre na porta e certificar que o paciente e acompanhante aceitam a visita. O hospital, que hoje conta com a maioria dos internos idosos, ficou sabendo do Sorrir por intermédio de uma enfermeira que havia prestado serviço para o projeto. A instituição viu a necessidade de mobilizar os pacientes ao proporcionar um dia diferente, que rompe com a rotina rígida de um hospital. E parece que alcançou o objetivo.

Os enfermeiros que acompanham a visita percebem a melhora, principalmente no estado de espírito dos pacientes. “Eles [os voluntários] passam força de vontade para os pacientes, e vindo de alguém de fora, se fortalecem mais” comenta Mirella, secretária da gerente de enfermagem do Hospital Beneficência.
A agitação pelos corredores do hospital é grande. Em datas comemorativas os voluntários vão caracterizados, deixam lembranças, como os panetones de natal, com os técnicos e preparam cartões com mensagens para os internos. Mas nos últimos sábados do mês a descontração já faz parte da rotina do hospital. “Ambos os lados se renovam [com as visitas]. Idosos gostam de contar suas histórias e poder serem ouvidos” é o que comenta Lucimara, assistente de Recursos Humanos do Hospital.

Todos, direta ou indiretamente se envolvem com as visitas e a quebra de rotina no hospital. “Os técnicos adoram o pessoal do Projeto, mais que os pacientes”, brinca Mirella sobre o forte envolvimento que ambas as partes desenvolvem dentro do ambiente hospitalar, levando alegria e sorrisos aos que ali se encontram. Mas nem tudo é sempre leve e descontraído. Alguns internos e acompanhantes, ao serem perguntados sobre a interação com o Projeto, não permitem a visita dos voluntários no quarto. Nesses casos, as equipes, de quatro a cinco pessoas divididas pelos corredores do hospital, respeitam e entendem a decisão e mobilizam os quartos que ainda não foram visitados. E o sorriso largo volta a acalentar as alvas paredes do hospital.

“Há um crescimento pessoal daqueles que participam, que disponibilizam seus sábados para estarem conosco”, elogia Lucimara. E o Projeto Sorrir cresce. No ano de 2014 foram realizadas duas reuniões de captação de pessoal, enquanto até o mês de julho desse ano três encontros aconteceram com previsão para mais um até o final do ano. E a meta é construir uma rede do bem.

O projeto conta com mídia sociais, como Facebook e Twitter, que são regularmente atualizados com fotos, novas propostas e visitas, deixando assim o público informado sobre o que acontece, e um site www.projetosorrirbauru.com.br. Os interessados em se juntar ao projeto devem entrar em contato pelo email contato@projetosorrirbauru.com.br e começar a construir uma nova cadeia de sorrisos.


Por: Adriana Carrer e Gabriela de Carvalho.

Fontes:
Lucas Arbex, participante do projeto sorrir;
Lucimara, Assistente de RH do Hospital Beneficência Portuguesa;
Mirella, Secretária da Gerente de Enfermagem do Hospital Beneficência Portuguesa.


Trabalho realizado pelas alunas: Thuany Gibertini (Pauteira), Gabryella Ferrari (Produtora), Gabriela de Carvalho (Repórter), Adriana Carrer (Repórter) e Bianca Furlani (Editora).


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