sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Possíveis  cortes  no  “Pibid”  geram  manifestações  e  necessidade  de  esclarecimentos.

Após a notícia sobre os  cortes no programa, dúvidas  começaram a surgir  e uma mobilização nacional foi formada contra essa possível redução. 
Por: Luis Henrique Negrelli

A primeira dúvida que surgiu após os boatos acerca da redução no Pibid foi: o que seriam esses  cortes  e  em  que  proporções? Mas,  além  disso, surgiu  também  a  pergunta:  o  que  é  o Pibid e qual a sua importância? Já que, por ter ganhado uma notoriedade maior nas mídias nos últimos  dias,  muitas  pessoas  começaram  a  ouvir  e  a  ler  notícias  sobre  um  programa  que muitos nem sabiam da existência.

De  acordo  com  a  CAPES  (Coordenação  de  Aperfeiçoamento  de  Pessoal  de  Nível Superior),  o Pibid  é  “uma  iniciativa  para  o  aperfeiçoamento  e  valorização  da formação  de professores  para a  educação  básica.  O  programa  concede  bolsas  a  alunos  de  licenciatura participantes de projetos de iniciação à docência, desenvolvidos por Instituições de Educação Superior (IES) em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino.” O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) possui uma forte atuação  nas  unidades  da  UNESP.  Por  esse motivo  entrevistamos  a  Professora  de  Química responsável pelas disciplinas pedagógicas, Sílvia Regina Quijadas Aro Zuliani, que é a atual vice­chefe do Departamento de Educação da UNESP ­ Bauru. Para  a  Professora,  o Pibid  é  “um  programa  que  tem  o  objetivo  de formar melhor  o
licenciando, ou seja, o futuro professor.” Ela explica que “em todas as unidades da UNESP,
existem  960  bolsistas  de  iniciação  à  docência  e  cerca  de  100  bolsistas  de supervisão.  Em
Bauru, existem 120 bolsistas de oito subprojetos. E o valor da bolsa que o aluno recebe é de
400 reais”

Segundo a entrevistada, a primeira notícia que se teve é que haveria um corte de 90%
no Pibid em geral, porém ninguém sabia se era um corte de bolsas ou de recursos. Logo após
a divulgação dessa notícia, a Capes reagiu dizendo que ainda não havia definido nada e que as
bolsas continuariam sendo pagas e os bolsistas credenciados permaneceriam no sistema. Porém, a preocupação dos coordenadores foi que no comunicado da Capes constava que o Pibid iria continuar, mas se comprometeriam a fazer o pagamento apenas dos bolsistas inseridos no programa, sem, no entanto, permitir a inclusão de novos bolsistas em substituição aos que optarem por deixá­lo ou que se formarem. Conforme  a docente relatou,  “isso faria com que o programa acabasse aos poucos.”
Em seguida, o ForPibid (Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Pibid) criou  um  abaixo  assinado  com  os  bolsistas  do  Brasil  inteiro.  Em  menos  de  duas semanas foram  coletadas  26  mil  assinaturas  de  bolsistas  e  quase  20  mil  de  alunos,  professores  e escolas. Ao final foi entregue um ofício dirigido ao Ministério da Educação com cerca de 46 mil  assinaturas  em  papel. Segundo  a  professora Silvia,  “esse movimento  assustou  a Capes, que não esperava essa grande mobilização”.

No dia seis de julho de 2015, aconteceram manifestações na UNESP de Bauru  e no Brasil inteiro, com a presença de bolsistas e instituições atendidas pelo Pibid. De acordo com a  docente,  “depois  que  o  ForPibid  enviou  um  ofício solicitando  esclarecimentos,  a  Capes divulgou que estariam permitidas as substituições de bolsistas do programa. Logo, parece que a pressão feita já gerou algum resultado”

A professora ressalta que um dos grandes diferenciais do Pibid é “que além de focar na formação do professor, ele beneficia também a escola em que o bolsista é inserido, porque o professor que recebe os alunos tem na sala de aula um bolsista que vai trabalhar de maneira diferenciada.”O que está definido é que foram mantidas as bolsas ativas e suprimidas do sistema as cotas ociosas, ou seja, a cota de cada instituição é igual à lançada no mês de junho de 2015 e a partir desse teto poderão ser feitas as substituições necessárias ao andamento do programa. Já as bolsas cadastradas após 01 de julho de 2015 não serão incluídas na folha de pagamento.

Para  a  entrevistada,  a  educação  não se faz  de  um  dia  para  o  outro  e  o  Pibid  é  um programa  que  é  importante  dentro  do  campus, refletindo  na formação futura  do  professor. “Portanto  continuaremos  mobilizados.  O  ForPibid  continuará  trabalhando.  Afinal  se  não formarmos bons professores, não formaremos bons jornalistas, bons médicos, etc.”

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