sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Rio Bauru: Problemas e Desafios

Por Nathália Cunha



O Rio Bauru é um rio do estado de São Paulo que nasce na região sul de Bauru, próximo  ao perímetro  urbano.  Possui  cerca  de  42  km  de  extensão,  tem  mais  de  dez afluentes,  deságua  no rio Tietê  e  é  considerado  um rio morto  de intenso mau  cheiro, uma  vez  que  todo  o  esgoto  in natura  do  município  é  despejado  nele  e  em seus  dez afluentes. São lançados aproximadamente 1000 L/s no Rio Bauru, sendo 85% despejo residencial e 15% despejo industrial.
Existem  vários  casos  de  enchentes,  alagamentos  e  até  mortes  ligadas  ao  Rio Bauru.  A  questão é  tão  problemática  que  os  bombeiros  da  cidade  criaram  um  ''kit enchente'' para a população em dias de chuva.  Atrelada a poluição visual, há também a disseminação  de doenças  como giardíase, leptospirose,  ascaridíase  e  esquistossomose, colocando em risco a saúde dos cidadãos bauruenses.

O  rio  corta  parte  da  área  urbana  e  incomoda  com  o  desagradável  odor.  O processo de eutrofização, que é a diminuição da concentração de oxigênio dissolvido na água, está em estágio avançado e portanto precisa de um projeto de revitalização com urgência. Além disso, a falta da mata ciliar, cuja função é sustentar o solo à margem do rio, agrava o problema do assoreamento do leito.

O operário, Paulo Fonseca, 58, ao ser questionado sobre os problemas advindos da poluição do rio, afirmou que está trabalhando na obra com mais oitenta funcionários há um ano, e que o cheiro incomoda, principalmente nos dias mais quentes: "O cheiro incomoda sim, ninguém merece pagar esgoto e ele ser despejado no rio".  "Essa obra que a gente tá fazendo aqui é pra limpar o esgoto que é jogado tanto aqui  nesse  trecho,  quanto  lá  em  cima,  em  Água  Comprida,  que  depois  de  tratada é jogada de volta no rio", disse o trabalhador.

"A  obra  está  andando  bem,  acredito  que  daqui  2  ou  3  anos  o rio  já  vai  estar
limpo."  Todavia,  o  prazo  de  entrega  do  projeto  era  para  Março  de  2015,  conforme anúncio da Prefeitura Municipal de Bauru no canteiro de obras. Quando  perguntado sobre  as  enchentes,  ele cita  o  problema  com  as  bocas  de lobo, que não suportam a quantidade de água em dias de chuva forte "Muita gente fica ilhada. O rio sobe, e com os bueiros já entupidos, a água não escoa".

O gerente Bruno Wesley de Oliveira, 26, também reclama do cheiro nos dias de calor. Ele conta que já ficou ilhado no posto de gasolina, que é em frente ao rio e fica alagado  em  época  de  chuva. Bruno  também sabia  do  projeto  de revitalização  do rio. Quando perguntado a respeito das medidas que a prefeitura tomou contra o problema, ele  diz  que  não  acredita  na  eficácia  do  projeto.  "Eles (a  prefeitura)  não ligam  para  o meio ambiente, eles se vendem, querem dinheiro".

Os moradores Ruth F., 82, e Sidney Ferreira, 64, contam que a casa já ficou com dez  centímetros  de água  nos  dias  de  enchente.  Quando  perguntados  a  respeito  da importância que a prefeitura dá para o meio ambiente, Sidney reclama sobre os bueiros. "Eu já fui pessoalmente na prefeitura reclamar dos bueiros. Quando o rio enche a rua fica  toda  alagada.  Ninguém  faz  nada.  Daqui  a pouco  chega  Setembro  e  a  situação piora".

Para o mecânico, Rodrigo S., 25, a culpa não é só da prefeitura. " Em volta que é complicado, vai das pessoas. Jogam lixo na rua, vem a enchente e vai tudo pro rio. Não é só culpa da prefeitura. Vai demorar para a população ajudar, tem que ter propaganda para conscientização".

Para  o  engenheiro florestal Cláudio Machado  Filho, formado  na Universidade Federal  de  Viçosa, o  rio  não  é  somente  uma  questão  ambiental:  "Levando  em consideração que a população em geral faz parte do ambiente e que não é apenas um ser separado,  fora  do  contexto,  e  que  pode apenas  usufruir  do  que  a  natureza  tem  para disponibilizar,  então  com  certeza  afeta  a comunidade local de diversas formas. Como exemplo  temos  os  problemas  com  as  enchentes,  que são  agravadas  pela  ocupação incorreta de  áreas de preservação permanente,  as APPs (áreas que ficam nas margens dos rios), impermeabilização do solo, destinação incorreta do lixo". Ele cita também algumas facetas positivas sobre a revitalização do rio, como a melhoria da estética da
cidade, diminuição de doenças e até o aumento do turismo.

Até  a  veiculação  dessa  matéria,  a  Prefeitura  Municipal  de  Bauru  não  se
pronunciou a respeito dos problemas do rio.



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